SOJA/MILHO: EUA confirma colheita de supersafra, mas rentabilidade preocupa

Porto Alegre, 03 de novembro de 2016 – Com produtividade acima da média
no Corn Belt, o Cinturão do Milho dos Estados Unidos, e ajuda do clima, os
norte-americanos estão prestes a concluir a colheita de uma supersafra. Mas
enquanto os números de produção se mantêm em alta – soja e milho devem
render quase 500 milhões de toneladas no ciclo 2016/17 -, os valores médios
pagos por bushel estão abaixo do esperado pelos produtores do país. A
tendência, segundo a Expedição Safra, é que a pressão sobre os preços se
intensifique até o final da temporada, principalmente após a colheita na
América do Sul.

O projeto, que faz um levantamento técnico-jornalístico da produção de
grãos no Brasil, na América do Sul e nos EUA, iniciou os roteiros de campo da
11 temporada pelo Corn Belt. Em oito dias de viagem, a equipe percorreu 3 mil
quilômetros e visitou cinco estados do cinturão produtivo de milho e soja do
país – Iowa, Illinois, Indiana, Minnesota e Wisconsin – para verificar os
investimentos em tecnologia e os resultados da colheita que se aproxima do fim.

Produtor no estado do Minnesota, Mike Riley conseguiu colher 85 sacas de
soja por hectare, desempenho 50% maior que a média nacional. No entanto, com
a possibilidade de desvalorização no mercado, o aumento da produtividade não
significa mais rentabilidade para o agricultor. “Vamos acabar ganhando o mesmo
tanto por área”, ressalta. No caso do milho, a variação dos preços
preocupa ainda mais os norte-americanos.

“As cotações não estão valorizadas a ponto de oferecer rentabilidade
adequada ao produtor, mas não estão tão pressionadas para baixo como deveriam
estar, pelo tamanho da oferta, graças à demanda forte”, avalia o gerente do
Núcleo de Agronegócio Gazeta do Povo e coordenador do projeto, Giovani
Ferreira. Segundo ele, a expectativa é que a dinâmica de preços se modifique
a partir de fevereiro, quando a América do Sul começar a colher a safra de
verão. “O mercado ainda não tem noção do tamanho da safra sul-americana,
porque ainda está em fase de plantio. Ainda assim, é mais fácil ocorrer recuo
do que aumento de preços”.

As informações partem da assessoria de imprensa da Expedição Safra.

Revisão: Fábio Rübenich (fabio@safras.com.br) / Agência SAFRAS