Porto Alegre, 5 de agosto de 2016 – O mercado brasileiro de milho teve
uma semana de preços mais baixos. Como destaca o analista de SAFRAS &
Mercado, Fernando Henrique Iglesias, o mercado esteve conturbado ao longo
da semana, diante das notícias desencontradas em torno da importação de milho.
Em entrevista à Agência SAFRAS, fonte ligada ao Departamento de
Comercialização e Abastecimento do Ministério da Agricultura, Pecuária e
Abastecimento (MAPA) garantiu nesta quinta-feira (04) que o governo federal
está empenhado para tentar agilizar a importação de um milhão de toneladas
de milho dos Estados Unidos junto à Comissão Técnica Nacional de
Biossegurança (CTNBio). “O secretário de Política Agrícola, Neri Geller
falou com representantes da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA)
após o pedido feito para a liberação na CTNBio de alguns eventos
transgênicos que estão aprovados nos Estados Unidos mas não estão
autorizados no Brasil”, disse.
A fonte ressaltou que Geller esteve na quarta-feira também na Casa Civil
para tentar solicitar urgência no pedido junto ao Ministério de Ciência e
Tecnologia, ao qual a CTNBio está vinculada. No entanto, não é possível
afirmar quanto tempo levará para que esse parecer de importação seja
aprovado. A cautela leva em conta problemas ocorridos em 2005 quanto a CTNBio
autorizou a importação de milho transgênico da Argentina, cujos eventos não
estavam autorizados no Brasil.
Com relação à questão de PIS/Cofins, que desde abril até novembro
conta com isenção de tarifa de importação de 8% sobre o milho trazido de
fora do Mercosul, a fonte comenta que essa questão não seria um entrave às
importações. “Essa questão está na agenda dos compradores, pois os grandes
operadores no mercado teriam como pagar a tarifa de PIS/Cofins no momento da
importação para creditá-la depois”, afirma.
A fonte sinaliza que o atual momento difícil vivenciado pelo mercado de
milho brasileiro está mais relacionado a preços do que propriamente à oferta.
“Segundo os dados da Conab, com uma expectativa de 22 milhões de toneladas
exportadas para este ano e com um volume embarcado no ano-safra até agora de
nove milhões de toneladas, ainda restariam 13 milhões de toneladas a serem
embarcadas e que poderiam ser direcionadas ao abastecimento interno”, comenta.
Logo haveria oferta para atender o mercado interno, até mesmo porque os preços
internos hoje estão acima da paridade de exportação.
Com as notícias envolvendo importações de milho, naturalmente os
compradores adotaram uma postura mais cautelosa. “Houve aumento da fixação
de milho, resultando em preços mais baixos no decorrer da semana e os
compradores acabaram recuando do mercado, aguardando por nova queda dos
preços”, afirmou Iglesias.
No balanço semanal, o preço do milho em Campinas/CIF caiu de R$ 49,00
para R$ 47,00 a saca de 60 quilos na base de venda. Na região Mogiana
paulista, as cotações recuaram de R$ 46,50 para R$ 44,00. Em Cascavel, no
Paraná, o preço baixou de R$ 44,00 a saca para R$ 43,00. Já no Rio Grande do
Sul, em Erechim, as cotações avançaram de R$ 53,00 para R$ 55,00 a saca. No
Porto de Santos, a cotação baixou de R$ 36,00 para R$ 35,50 no mesmo comparativo.
Edição: Lessandro Carvalho (lessandro@safras.com.br) / Agência SAFRAS
