SEMANA: Avanço da colheita e “Carne Fraca” pressionam preços do milho

Porto Alegre, 24 de março de 2017 – Os preços do milho caíram em
semana de poucos negócios no mercado brasileiro. Além do avanço da colheita e
da postura retraída dos consumidores, os produtores se depararam com as
incertezas causadas pela Operação “Carne Fraca” deflagrada pela Polícia
Federal e que investiga o pagamento de propinas por parte de grandes empresas
para fiscais agropecuários.

No curto prazo, não se visualizam fatos que possam sustentar os preços do
grão. Os consumidores estão bem abastecidos e apostando em preços ainda
melhores, diante da disponibilidade de milho da safra de verão. Para completar,
a demanda está comprometida pela postura de cautela dos compradores, que
aguardam os desdobramentos da Operação e os reflexos sobre as exportações do
complexo carnes brasileiro.

O mercado exportador não contribui para a oferta doméstica. Mesmo com a
recuperação do dólar, as cotações futuras em Chicago seguem muito baixas.
Nos portos de Santos e Paranaguá, os preços oscilaram entre R$ 29,00 e R$
29,50 a saca, pouco acima dos preços praticados internamente.

No Paraná, a saca caiu para R$ 25/27,00. Em São Paulo, os preços
oscilaram entre R$ 27,00 e R$ 30,00. No Rio Grande do Sul, a cotação passou
para R$ 24/26,00. Em Minas Gerais, cotação fixada em R$ 30,00, enquanto em
Goiás baixou para R$ 25,00.

Diante deste quadro, o produtor aguarda por medidas de apoio à
comercialização a serem anunciadas pelo governo, principalmente contratos de
opção. Contatado pela Agência SAFRAS, o Ministério da Agricultura informou
que a solicitação já foi encaminhada e aguarda a liberação da Fazenda.
Datas, preços e volumes das operações ainda não são conhecidos.

A produção brasileira de milho deverá totalizar 97,998 milhões de
toneladas na temporada 2016/17, com elevação de 38,5% sobre a safra anterior,
de 70,754 milhões de toneladas. A projeção faz parte de levantamento
divulgado hoje por SAFRAS & Mercado.

A safra de verão da região Centro-Sul deverá subir de 22,701 milhões de
toneladas para 33,469 milhões de toneladas, com um aumento 47,4%. A área
deverá passar de 3,902 milhões para 5,243 milhões de hectares.

O levantamento indica plantio de 10,697 milhões de hectares na segunda
safra, ou safrinha, contra 11,319 milhões do ano anterior. Com rendimento de
5.446 quilos por hectare, a produção da safrinha no Centro-Sul está estimada
em 58,264 milhões de toneladas, 30,5% acima do que a obtida em 2015/16, de
44,659 milhões de toneladas. SAFRAS indica ainda produção de 6.264 milhões
de toneladas para as regiões Norte e Nordeste, bem acima das 3,393 milhões
produzidas no ano anterior.

“Naturalmente, a projeção de uma safra recorde e muito acima das
estimativas iniciais nos leva a avaliar o quadro do mercado neste ano comercial
de forma bem mais preocupante para os preços do milho. Mesmo que tenhamos ainda
quase três meses de expectativa climática sobre a safrinha para definir este
perfil de produção, devemos avaliar que o Brasil precisa começar a vender
mais agressivamente milho na exportação”, explica o analista de SAFRAS,
Paulo Molinari.

Na avaliação de Molinari, o Brasil precisa colocar volumes superiores a
32 milhões de toneladas nas exportações neste ano. Sem dúvida, o corte de
área nos Estados Unidos em 2017, a chance de alguma especulação climática
até agosto envolvendo a safra norte-americana e alguma sustentação cambial
podem trazer momentos em que as exportações brasileiras encontrem espaço para
evoluir.

Dylan Della Pasqua (dylan@safras.com.br) / Agência SAFRAS