Porto Alegre, 2 de outubro de 2020 – Acompanhe abaixo os fatos que deverão merecer a atenção do mercado de milho na próxima semana. As dicas são do analista da SAFRAS Consultoria, Paulo Molinari.
– O mercado internacional de milho está um pouco surpreso com o dado de estoque trimestral com corte de quase 7 milhões de toneladas em relação ao estimado pelo USDA em setembro.
– Os estoques agora estão estimados em 50,7 milhões de toneladas. Este será o estoque de passagem a ser ajustado pelo USDA no quadro de oferta e demanda do próximo dia 09, referente ao ano comercial 19/20.
– Isto deverá reduzir o estoque do ano comercial 20/21 de 63,4 para 57 milhões de toneladas. Ainda um grande estoque e suficiente para atender a qualquer demanda até 2021.
– Por isso, o surto de alta na CBOT no milho na semana parece exagerado. US$ 4.00/bushel em outubro nos parece alto frente ao quadro de produção e estoques atuais.
– A colheita nos EUA chegou apenas a 15% na semana e tende a se arrastar até novembro, pois são 378 milhões de toneladas ainda uma grande safra.
– É possível que o USDA faça algum pequeno corte de produção no relatório do dia 09, o qual em nada alterará o quadro geral.
– Preços altos no Brasil, Argentina e Ucrânia ajudam a demanda global a se concentrar no milho dos EUA daqui para frente.
– No mercado interno, preços muito firmes e atingindo recordes semanais.
– Exportadores ainda agressivos para cumprir os embarques de outubro a dezembro, há pouca demanda para janeiro.
– As exportações brasileiras chegaram a 23 milhões de toneladas com a programação de 4,3 milhões em outubro. Dentro do programado para o ano em 34 a 35 milhões de toneladas.
– Não há nada de novo na exportação. Porém, a demanda interna muito forte, o câmbio com novas desvalorizações e o baixo estoque regional em poder dos consumidores alimentam a alta.
– Os produtores estão aguardando uma melhoria de clima. As chuvas de primavera estão muito atrasadas. Apenas o RS, SC e Sul do PR avançam no plantio.
– A retenção do milho tem também o fundamento do quadro da safra de verão, ou seja, o produtor mantém o milho como reserva no armazém.
– A chance de importação no curto prazo com este quadro externo e câmbio é mínima, pois os custos superam R$ 70 nos portos + frete interno.
– Começa a crescer a procura por milho safrinha 2021 para entregas de junho e julho, produção esta que dependerá de um bom plantio de soja neste mês de outubro.
– As chuvas são esperadas de forma mais expressiva e quase geral para o feriado do dia 12, o que pode alavancar o plantio com alguma segurança na segunda quinzena de outubro
– Por enquanto, não há nenhum comprometimento para o plantio da safrinha 2021 e tão pouco para o quadro de produção do verão. Contudo, a atenção ao La Nina é evidente neste momento.
Gabriel Nascimento (gabriel.antunes@safras.com.br) / Agência SAFRAS
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