MILHO: Governo está empenhado para agilizar importação dos EUA

Porto Alegre, 4 de agosto de 2016 – Em entrevista à Agência SAFRAS,
fonte ligada ao Departamento de Comercialização e Abastecimento do Ministério
da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA) garantiu hoje que o governo
federal está empenhado para tentar agilizar a importação de um milhão de
toneladas de milho dos Estados Unidos junto à Comissão Técnica Nacional de
Biossegurança (CTNBio). “O secretário de Política Agrícola, Neri Geller
falou com representantes da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA)
após o pedido feito para a liberação na CTNBio de alguns eventos
transgênicos que estão aprovados nos Estados Unidos mas não estão
autorizados no Brasil”, disse.

A fonte ressaltou que Geller esteve ontem também na Casa Civil para tentar
solicitar urgência no pedido junto ao Ministério de Ciência e Tecnologia, ao
qual a CTNBio está vinculada. No entanto não é possível afirmar quanto
tempo levará para que esse parecer de importação seja aprovado. A cautela
leva em conta problemas ocorridos em 2005 quanto a CTNBio autorizou a
importação de milho transgênico da Argentina, cujos eventos não estavam
autorizados no Brasil.

Com relação à questão de PIS/Cofins, que desde abril até novembro
conta com isenção de tarifa de importação de 8% sobre o milho trazido de
fora do Mercosul, a fonte comenta que essa questão não seria um entrave às
importações. “Essa questão está na agenda dos compradores, pois os grandes
operadores no mercado teriam como pagar a tarifa de PIS/Cofins no momento da
importação para creditá-la depois”, afirma.

A fonte sinaliza que o atual momento difícil vivenciado pelo mercado de
milho brasileiro está mais relacionado a preços do que propriamente à oferta.
“Segundo os dados da Conab, com uma expectativa de 22 milhões de toneladas
exportadas para este ano e com um volume embarcado no ano-safra até agora de
nove milhões de toneladas, ainda restariam 13 milhões de toneladas a serem
embarcadas e que poderiam ser direcionadas ao abastecimento interno”, comenta.
Logo haveria oferta para atender o mercado interno, até mesmo porque os
preços internos hoje estão acima da paridade de exportação.

Como alternativas para atender o mercado interno, a fonte informa que o
Programa de Vendas em Balcão segue operando. “Além disso, a Companhia
Nacional de Abastecimento vai realizar um leilão na próxima semana ofertando
50 mil toneladas ao mercado, dentro dos volumes possíveis de serem trabalhados
no momento pelo governo, já que estoques não são elevados”, informa.

A fonte argumenta que em caso de demora maior para a liberação de volumes
dos Estados Unidos, a Argentina e o Paraguai teriam disponibilidade de ofertas
de milho para a exportação e poderiam ser uma alternativa para abastecimento
do mercado brasileiro. Entretanto, a ABPA afirma que trazer o cereal
norte-americano hoje seria até mais barato do que importar de mercados
próximos, como Argentina e Paraguai.

Arno Baasch (arno@safras.com.br) / Agência SAFRAS