Porto Alegre, 26 de outubro de 2016 – O presidente-executivo da
Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), Francisco Turra, defendeu
hoje, em Porto Alegre (RS), durante coletiva de imprensa na Federasul, onde foi
agraciado com o Prêmio Vencedores no Agronegócio, uma maior aproximação
entre as indústrias dos setores de carnes com os produtores de milho de modo a
fomentar a produção do cereal no Rio Grande do Sul e Santa Catarina. “Fico
preocupado ao ver que a participação destes estados nos abates de carne de
frango e de suíno vem caindo gradativamente, perdendo espaço e competitividade
para outros que dispõe de maior oferta de milho”, comenta.
Conforme Turra, a participação do Rio Grande do Sul nos abates nacionais
de carne de frango, que era 18,63% em 2005, caiu para 16,3% em 2010 e
14,13% em 2015. Em Santa Catarina a participação declinou de 21,74% em
2005, para 18,59% em 2010 e 16,24% em 2015. Já o Paraná, que participava
com 21,81% dos abates em 2005, passou a responder por 27,77% dos abates
em 2010 e por 32,46% em 2015.
No caso da suinocultura, a participação do Rio Grande do Sul nos abates
nacionais retrocedeu de 22,94% em 2005, para 22,59% em 2010 e 20,69% em 2015.
Em Santa Catarina a participação caiu de 34,36% em 2005, para 27,71% em
2010 e 27,40% em 2015, enquanto no Paraná passou de 15,99% em 2005, para
17,67% em 2010 e 21,47% em 2015.
Para Turra, estes números revelam que uma aproximação é necessária por
parte das indústrias de carnes junto aos produtores de milho para evitar que
essa participação caia ainda mais. “Se não tivermos oferta de milho para
atender as cadeias de aves, suínos, leite e ovos no Rio Grande do Sul e Santa
Catarina a produção corre riscos, uma vez que o alto custo logístico para
trazer o cereal de outros estados inviabiliza os investimentos para a
ampliação da produção”, explica.
O dirigente revela que por essas vantagens de custos que o Mato Grosso, com
ampla oferta de milho, vem recebendo investimentos de empresas de aves e
suínos. “Eles conseguem fomentar uma exportação através do porto de
Itaqui, no Maranhão, que está a uma distância 2.000 quilômetros menor do
porto de Rotterdam, na Holanda. Tenho conversado com os secretários de
agricultura do Rio Grande do Sul, Ernani Polo e de Santa Catarina, Moacir
Sopelsa, de modo a tentar estabelecer um programa de remodelação da
produção, para elevar a oferta de milho e evitar que fiquem tão dependentes
do cereal vindo de fora”, conclui.
Arno Baasch (arno@safras.com.br) / Agência SAFRAS
