Porto Alegre, 24 de abril de 2015 – Terceira maior comercializadora
independente de etanol dos Estados Unidos, a cooperativa americana CHS quer
se estabelecer como um importante “player” no mercado do biocombustível no
Brasil. Com pouco espaço para adentrar no já consolidado segmento de
comercialização de etanol de cana, a americana vê oportunidades no “trade”
de etanol de milho, ainda em fase de crescimento no país.
A entrada nesse mercado se dará por meio da parceria com a gaúcha USI
Biorefinarias, com a qual a americana já havia selado um acordo de
comercialização do produto. Fechado há mais de um ano, o contrato estabelecia
que a CHS não poderia comprar etanol de usinas de fora da parceria com a USI
quando a capacidade diária da unidade fosse igual ou menor a 30 mil litros.
Naquele momento, o projeto em vista era a produção de etanol a partir de
arroz cultivado por pequenos rizicultores gaúchos. Mas de olho na oferta
abundante de milho no Centro-Oeste, combinada com a necessidade local de
agregar valor ao grão, as duas empresas estenderam a exclusividade a usinas
parceiras com capacidade para até 100 mil litros/dia, independentemente da
matéria-prima.
O presidente da USI Biorefinarias, Francisco Malmann, diz que o plano é
instalar até 2020 usinas no Centro-Oeste e no Rio Grande do Sul que somam
capacidade de produção de 750 milhões de litros por ano. Se vingarem, essas
unidades vão demandar investimentos de cerca de R$ 1 bilhão. Somente no
Centro-Oeste, devem ser 15 usinas com capacidade anual de 525 milhões de
litros.
Os volumes até 2020 são modestos frente à produção brasileira de
etanol em 2014, de 28 bilhões de litros, sendo 100 milhões de milho. No
entanto, é bem superior ao volume que a CHS deve movimentar em 2015 no
Brasil (120 milhões). Nos EUA, a cooperativa tem participação de 7% na
comercialização de etanol.
O conceito de parceira envolve todas as usinas de etanol de amido que adotem a
tecnologia da USI. A gaúcha capta investidores, e também, se for o caso, entra
com capital próprio, para implantar essas unidades, cuja operação fica a
cargo da própria USI.
Entre os modelos de negócio possíveis está o de financiamento da lavoura
mediante o compromisso de entrega futura de produto agrícola, tais como arroz,
milho ou sorgo. Além de ter a exclusividade na compra do etanol dessas
unidades industriais, a cooperativa americana, dona de um faturamento de
US$ 42 bilhões, ainda tem a oportunidade de participar das operações de “barter”,
uma das suas maiores especialidades.
A entrada em milho, diz o executivo da CHS, é uma alternativa diante das
restrições impostas a novo entrante na comercialização de etanol de cana no
Brasil. O perfil do “usineiro” de milho é diferente daquele do tradicional
empresário da cana.
As informações partem do Valor Econômico.
