MERCADO MILHO: Oferta restrita mantém cotações firmes no Brasil

Porto Alegre, 06 de outubro de 2020 – O mercado brasileiro de milho manteve o cenário de preços de estáveis a mais altos nesta terça-feira. A oferta de milho segue tímida em grande parte do país. Segundo o analista de SAFRAS & Mercado, Fernando Henrique Iglesias, o produtor brasileiro ainda adota a retenção como estratégia.

   “O produtor está capitalizado e ainda não enxerga a necessidade de comercialização”, indicou Fernando Henrique Iglesias. Segundo ele, a movimentação cambial ao longo do dia produziu algum ruído nos preços nos portos. “Esta é sem dúvida umas das correlações mais importantes para o mercado neste momento. O clima é outra variável-chave, com chuvas abaixo do normal em grande parte do Centro-Sul, atrasando o plantio”, observou. Os prêmios para o milho brasileiro permanecem acentuados na comparação com outros players do mercado internacional.

    No Porto de Santos, o preço ficou em R$ 67,50/70,00 a saca. No Porto de Paranaguá (PR), preço em R$ 67,00/69,00 a saca.

   No Paraná, a cotação ficou em R$ 62,00/64,00 a saca em Cascavel. Em São Paulo, preço de R$ 66,00/68,00 na Mogiana. Em Campinas CIF, preço de R$ 68,00/70,00 a saca.

    No Rio Grande do Sul, preço ficou em R$ 68,00/70,00 a saca em Erechim. Em Minas Gerais, preço em R$ 61,00/62,00 a saca em Uberlândia. Em Goiás, preço esteve em R$ 58,50 – R$ 60,00 a saca em Rio Verde – CIF. No Mato Grosso, preço ficou a R$ 56,00/58,00 a saca em Rondonópolis.

CHICAGO

   A Bolsa de Mercadorias de Chicago (CBOT) para o milho fechou a sessão de hoje com preços significativamente mais altos. O cereal foi impulsionado pela vizinha soja, avaliando também o andamento da colheita norte-americana em ritmo mais lento que o esperado. Os investidores também começam a se posicionar frente ao relatório de oferta e demanda de outubro do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), que será divulgado na sexta-feira (9).

   O USDA divulgou relatório sobre a evolução da colheita das lavouras de milho. Até 4 de outubro, a área colhida estava em 25%. O mercado esperava 26%. Em igual período do ano passado o número era de 14%. A média para os últimos cinco anos é de 24%. Na semana anterior, o percentual era de 15 pontos.

    O USDA divulga o relatório de oferta e demanda de outubro no dia 9, a partir das 13h (horário de Brasília) e deverá trazer dados para a safra norte-americana e mundial em 2020/21, além de atualizar as projeções da temporada 2019/20.

    A produção de milho dos Estados Unidos para a temporada 2020/21 deve ser apontada em 14,801 milhões de bushels, abaixo dos 14,9 bilhões previstos em setembro, segundo adidos e traders consultados por agências internacionais. A produtividade média da safra 2020/21 deve ser reduzida de 178,5 bushels por acre para 177,6 bushels por acre.

    Os estoques de passagem da safra 2020/21 dos Estados Unidos devem ser apontados em 2,130 bilhões de bushels, ante os 2,503 bilhões estimados no mês passado.

     A previsão é de que os estoques finais de passagem da safra mundial 2019/20 sejam apontados em 304,8 milhões de toneladas, abaixo dos 309,2 milhões indicados no mês passado. Para a safra 2020/21 a estimativa é de que os estoques finais globais fiquem em 299,7 milhões de toneladas, abaixo das 306,8 milhões de toneladas indicadas em setembro.

   Os contratos de milho com entrega em dezembro fecharam a US$ 3,85, com alta de 5,50 centavos, ou 1,44%, em relação ao fechamento anterior. A posição março de 2021 fechou a sessão a US$ 3,94 1/4 por bushel, ganho de 5,00 centavos de dólar, ou 1,28%, em relação ao fechamento anterior.

CÂMBIO

    O dólar comercial encerrou a sessão em alta de 0,52%, sendo negociado a R$ 5,5980 para venda e a R$ 5,5960 para compra. Durante o dia, a moeda norte-americana oscilou entre a mínima de R$ 5,4840 e a máxima de R$ 5,6180.

     Lessandro Carvalho (lessandro@safras.com.br) – Agência SAFRAS

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