MILHO: Cargill estima exportação do Brasil em recorde de 35 mi t em 2017

Porto Alegre, 30 de agosto de 2017 – Um executivo da unidade brasileira
da Cargill estimou nesta quinta-feira que o Brasil exportará um volume recorde
de 35 milhões de toneladas de milho, com as vendas externas do país ganhando
ritmo no segundo semestre, diante do escoamento de uma colheita recorde.

A previsão supera a estimativa da associação do setor, a Anec, em 5
milhões de toneladas. Os 30 milhões de toneladas apontados pela entidade já
seriam volumes muito perto de um recorde histórico.

Paulo Sousa, chefe da unidade local de grãos e oleaginosas da Cargill,
disse ainda durante uma conferência da indústria que o país fechará o mês
de agosto com exportações de 5 milhões de toneladas de milho, com a
companhia global com sede nos EUA sendo responsável por uma grande parte
dos embarques.

Dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex), do governo brasileiro,
indicaram na última segunda-feira exportações de 4,5 milhões de toneladas
até a quarta semana de agosto.

Espera-se que o Brasil represente 50 por cento das exportações globais de
milho entre agosto e janeiro do próximo ano, acrescentou Sousa.

“A Cargill será líder”, disse ele em relação ao total que a empresa
representará no volume das exportações de agosto. A companhia opera no país
há 52 anos.

A força do Brasil como exportador de milho na segunda metade do ano ocorre
devido à colheita de milho no inverno.

A colheita de segunda safra de milho fez do Brasil o segundo exportador do
cereal atrás dos EUA.

A segunda colheita de milho representa cerca de 68 por cento da safra total
do cereal no Brasil, que este ano deve atingir um recorde de aproximadamente 97
milhões de toneladas, de acordo com dados do governo.

“Mas o milho de inverno é muito mais vulnerável aos riscos climáticos,
então a volatilidade dos preços tende a ser uma questão constante”, disse
Sousa.

No ano passado, disse ele para ilustrar o seu argumento, houve uma queda
acentuada da produção brasileira de milho devido a fatores climáticos,
reduzindo fortemente a produção.

“O preço subiu tanto que permitiu a exportadores comoa Cargill e
concorrentes comprarem o que tinham vendido”, disse ele, acrescentando que
isso foi feito para cobrir a lacuna de produção e atender a demanda
doméstica.

Nem todo o milho vendido para exportação pôde ser comprado de volta, ele
disse. A demanda interna é estimada em cerca de 60 milhões de toneladas.

As informações partem da Reuters Brasil.

Revisão: Fábio Rübenich (fabio@safras.com.br) / Agência SAFRAS