deverá superar pela primeira vez o nível de 100 milhões de toneladas, com os
produtores favorecidos por boas condições climáticas em uma temporada que
muitos fizeram uso de insumos de alta tecnologia, o que também colabora para
elevar as produtividades, avaliou nesta segunda-feira o Banco Pine.
A instituição, que tem importante parcela de clientes no agronegócio,
estimou a safra de milho do Brasil em 102,2 milhões de toneladas, aumento de
quase 10 milhões de toneladas ante a previsão anterior, o que representa
“incremento brutal” de 55 por cento na comparação com a temporada anterior,
fortemente afetada pela seca.
A maior safra do Brasil até este ano havia sido colhida na temporada
2014/15, quando o país obteve 84,7 milhões de toneladas.
Na atual temporada, a grande produção se dá principalmente pelo
crescimento da segunda safra, agora estimada pelo Pine em 70,7 milhões de
toneladas, ante 62,6 milhões na projeção anterior. Já previsão da safra de
verão passou de 30,4 milhões para 31,5 milhões de toneladas.
“Como percebemos nos últimos anos, chover até a segunda quinzena de
abril é um marco importante na produtividade do milho, mas algumas chuvas em
maio são o selo de garantia da produtividade no Centro-Oeste do Brasil”, disse
o Pine em relatório assinado pelo analista Lucas Brunetti.
Ele lembrou que no Sul e no sul de Mato Grosso do Sul ainda existem alguns
fatores que podem reduzir a produção, como chuvas excessivas e eventuais
geadas.
“No caso do Paraná (segundo produtor nacional), a produtividade final é
ainda mais dependente das condições finais até o final da safra, como a geada
e as chuvas na colheita. Então é necessário um acompanhamento atento por
mais algumas semanas neste Estado”, disse.
Com a consolidação de uma safra recorde, acrescentou o analista, e uma
consequente queda expressiva nos preços, “já vislumbramos uma redução da
área planta de milho verão em 2018”.
“Dessa maneira, retornaremos a tendência de longo prazo de queda na área
de milho verão no Brasil. Assim, acreditamos que o aumento de área observado
nessa safra migrará para outras culturas na próxima, principalmente soja”,
afirmou ele, destacando que a segunda safra deverá ter área igual ou maior.
“Isso se deve ao fato de que depois de o produtor selecionar áreas aptas
a duas safras e dimensionar seus equipamentos para isso, dificilmente ele irá
abandonar as áreas adicionais.”
No entanto, os preços menores do milho no mercado doméstico terão
reflexos na tecnologia adotada pelos produtores, que deverá ser de menor custo
no ano que vem.
As informações partem da Reuters Brasil.
Revisão: Fábio Rübenich (fabio@safras.com.br) / Agência SAFRAS
