RETROSPECTIVA: Mercado de milho teve ano de cotações recordes no Brasil

Porto Alegre, 23 de dezembro de 2015 – O mercado brasileiro de milho teve
um ano de 2016 de cotações recordes. Foi um período de dificuldades para o
abastecimento dos compradores, com baixos estoques. Com a oferta limitada no
mercado interno, o país teve o maior volume de importações em 20 anos.

Segundo o analista de SAFRAS & Mercado, Paulo Molinari, o excesso de
exportações do Brasil em 2015 e o corte da área da safra de verão levou à
escassez de oferta. Assim, houve um ajuste no abastecimento no primeiro
semestre e as cotações atingiram patamares recordes, chegando a R$ 60,00 a
saca em média no Sul do Brasil.

O aperto no abastecimento só foi resolvido com a chegada da safrinha no
segundo semestre. Assim, as cotações do milho no Brasil atingiram patamares
muito elevados na primeira metade do ano e encontraram maior equilíbrio no
segundo, quando os preços então cederam bastante em relação ao pico
alcançado nos primeiros seis meses de 2016.

“Foi um ótimo ano para os produtores, tirando os estados onde houve
quebra na produção”, comentou Molinari.

Para 2017, o analista prevê um cenário completamente diferente. Os
estoques devem estar em níveis mais altos, passando de 5 milhões de toneladas,
a área de verão pode ter crescido até 20% com os preços aquecidos
estimulando o produtor e o clima está favorecendo, avalia Molinari. E com as
cotações do milho na Bolsa de Chicago relativamente baixas e com o dólar
também mais fraco, as exportações estão dificultadas no país. Essa
combinação amplia a oferta no mercado interno, o que é um fator de pressão
aos preços.

Assim, Molinari prevê um primeiro semestre ainda de equilíbrio entre
oferta e demanda, o que limitaria quedas nas cotações do milho. Entretanto,
com uma safrinha recorde que se espera para 2017, “poderemos voltar a ter de
exportar 30 milhões de toneladas ao ano”, observou. Sem essas exportações,
haverá muita oferta disponível e a tendência é de preços mais baixos.
“Para reverter essa tendência, o mercado precisa de um fato novo, como
câmbio ou a Bolsa de Chicago”, indicou.

Lessandro Carvalho (lessandro@safras.com.br) / Agência SAFRAS