MILHO: Decisão da CTNBio frustra expectativa de importadores do Brasil

Porto Alegre, 01 de setembro de 2016 – A Comissão Técnica Nacional de
Biossegurança (CTNBio) aprovou nesta quinta-feira o uso no Brasil de uma
variedade de milho transgênico da Monsanto comercializada nos Estados Unidos,
mas deixou outras variedades em análise, frustrando indústrias de aves e
suínos que contam com a importação do cereal para arrefecer os preços do
produto no Brasil.

Segundo a comissão, o milho geneticamente modificado MON 87411, resistente
a insetos e tolerante ao herbicida glifosato, foi liberado em uma reunião
plenária.

Contudo, ainda estão sob análise outras duas variedades de milho da
Monsanto e uma da Syngenta. Uma avaliação final deverá ocorrer em reunião em
outubro, informou a CTNBio.

Indústrias consumidoras contavam com a liberação de todas as variedades
para buscar milho no exterior e tentar reduzir os preços do cereal, que bateram
recordes nos últimos meses no mercado brasileiro.

Segundo a Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), como não
existe uma segregação na hora da colheita e da armazenagem, fica impossível
importar grãos apenas da variedade aprovada.

“Para efeito prático, a liberação de uma variedade não refresca nada.
O vendedor nos EUA não consegue garantir a rastreabilidade. Esse milho está
todo misturado”, disse à Reuters o diretor de Relações Institucionais da
ABPA, Ariel Mendes.

O Brasil já planta em larga escala milho transgênico, com tecnologia das
empresas analisadas, mas a liberação da importação do produto
norte-americano é necessária porque tratam-se de eventos genéticos ainda não
avaliados pelo órgão de biossegurança nacional.

Segundo a associação, parte das análises foi represada por pedido de
vistas apresentado na reunião desta quinta por técnicos do Ministério do Meio
Ambiente.

“A medida dos representantes do Ministério do Meio Ambiente retarda uma
importante solução, deixando os consumidores à mercê de preços cada vez
mais elevados, piorando a situação das empresas que provavelmente continuarão
a reduzir gradativamente a produção, impactando na manutenção de empregos
do setor e na oferta de alimentos para o país”, disse em nota o presidente da
ABPA, Francisco Turra.

Apesar do pedido de vistas do ministério do Meio Ambiente, a entrada de
milho transgênico dos EUA é amplamente defendida pelo Ministério da
Agricultura.

Uma fonte graduada do setor de aves e suínos disse à Reuters recentemente
que as indústrias contam com o acesso efetivo ao milho dos EUA apenas em 2017.
Uma liberação imediata pela CTNBio teria o efeito de sinalizar aos vendedores
domésticos que haverá uma concorrência no futuro, potencialmente reduzindo
os preços imediatamente. A liberação também poderia agilizar e dar
segurança jurídica para contratos de importação, segundo a fonte.

Em uma análise recente, o Cepea, centro de pesquisas ligado à
Universidade de São Paulo (USP), ressaltou que “as incertezas quanto à
disponibilidade interna de milho nos próximos meses têm tornado os níveis de
preços bastante sensíveis a quaisquer informações e possibilidade de
mudança”, ressaltando que havia grande expectativa no mercado sobre o parecer
da CTNBio nesta quinta-feira.

Procurado, o Ministério do Meio Ambiente não comentou imediatamente.

As informações partem da Reuters Brasil.

Revisão: Fábio Rübenich (fabio@safras.com.br) / Agência SAFRAS