Porto Alegre, 29 de julho de 2016 – O mercado brasileiro de milho teve um
mês de julho de preços mais altos. As cotações avançaram com a retração
na oferta, mesmo em período de colheita da safrinha. Os produtores seguraram o
produto e o mercado foi reagindo pouco a pouco, com avanços regionais nos
preços.
O analista de SAFRAS & Mercado, Fernando Henrique Iglesias, destaca que a
safrinha brasileira vai confirmando a sua maior perda de produção da sua
recente história. “Efetivamente, foi uma produção com várias ocorrências
climáticas e com pragas novas nas lavouras que causaram efeitos, de certa
forma, surpreendentes nas produtividades regionais”, ressaltou.
Em algumas regiões, observa, este perfil já estava desenhado, aguardando
apenas as confirmações como o leste do Mato Grosso, Goiás e Minas Gerais.
Nestas localidades, além das perdas de produtividade mais acentuadas, há
perdas de área plantada, ou seja, praticamente sem produção. “Muitas destas
áreas foram responsáveis pelo aumento final de área plantada nacional.
Entretanto, tendo o plantio extremamente tardio e fora de uma janela
considerável para amenizar os riscos na produção”, apontou.
Outras localidades registram rendimentos abaixo do esperado, mesmo nas
áreas consideradas boas e que poderiam produzir médias de 100 sacas por
hectare. Efetivamente, há várias lavouras com estes rendimentos ou até acima.
A questão é que há muitas com uma visão inicial para esta produtividade,
mas o peso específico do grão esta muito abaixo do normal, ou seja, muito leve
e trazendo os rendimentos no momento de entrada nos armazéns para níveis
muito baixos, comenta o analista.
Assim, a safrinha de milho de 2016 deverá somar 45,169 milhões de
toneladas, segundo projeção de SAFRAS & Mercado. A nova estimativa indica um
corte de 16,1 milhões de toneladas, o equivalente a 26,3%, na comparação com
a estimativa inicial, de 61,276 milhões de toneladas. No ano passado, o Brasil
produziu 56,277 milhões de toneladas. Com isso, a queda na atual safra será de
19,7%. No relatório anterior, divulgado em junho, a previsão era de uma
safrinha de 49,388 milhões de toneladas.
No balanço mensal, o preço do milho em Campinas/CIF subiu de R$ 43,00
para R$ 49,50 a saca de 60 quilos na base de venda. Na região Mogiana
paulista,as cotações avançaram R$ 40,00 para R$ 47,00. Em Cascavel, no
Paraná, o preço se elevou de R$ 39,00 a saca para R$ 45,00. Já no Rio Grande
do Sul, em Erechim, as cotações caiu de R$ 55,00 para R$ 54,00 a saca. No
Porto de Santos, a cotação caiu de R$ 35,50 a saca para R$ 35,00 no mesmo
comparativo.
Edição: Lessandro Carvalho (lessandro@safras.com.br) / Agência SAFRAS
