SOJA: Novo terminal no MA carrega 1º navio com oleaginosa na próxima semana

Porto Alegre, 4 de fevereiro de 2015 – O primeiro navio do novo terminal de
grãos Tegram, em São Luís, no Maranhão, vai atracar no dia 10 de março
para carregar 66 mil toneladas de soja para a China, marcando o início das
operações de mais um importante ponto de escoamento da safra brasileira.
O navio Scythia Graeca, contratado pela norte-americana CHS, já está
fundeado desde o final de fevereiro nas proximidades do porto, segundo dados de
rastreamento marítimo da Thomson Reuters e de agências marítimas.

A previsão de atracação, o volume de soja e o destino constam nas
programações das agências Cargonave e Williams publicadas nesta terça-feira.
“Em geral, o carregamento de um navio assim não passa de três dias. Mas este
pode demorar mais devido ao terminal estar em fase de testes”, disse à
Reuters o encarregado de operações da Cargonave em São Luís, Valdo Ribeiro.

A Williams prevê a saída do navio em 13 de março. A CHS tem 25% de
participação em um dos quatro grandes armazéns que formam o terminal. Os
outros 75 por cento são da NovaAgri.

O segundo armazém é da Glencore e os outros dois são da CGG Trading e do
Consórcio Crescimento, uma joint venture entre Amaggi e Louis Dreyfus
[AKIRAU.UL].

A estimativa do consórcio que opera o Tegram é que o terminal consiga
exportar cerca de 2 milhões de toneladas de soja e milho ainda em 2015. A
primeira fase do complexo deverá operar com capacidade total, de 5 milhões de
toneladas anuais, dentro de dois ou três anos.

O Tegram é uma das grandes apostas do agronegócio brasileiro para
conseguir desafogar o defasado sistema logístico do país, ainda muito
concentrado no transporte de grãos por caminhões até os portos de Santos
(SP), Paranaguá (PR) e Rio Grande (RS).

O terminal no complexo conhecido como Ponta da Madeira, em São Luís,
passará a operar ao lado de um terminal da grãos da mineradora Vale e deverá
receber boa parte de suas cargas por meio da ferrovia Norte-Sul.

Os grãos para abastecer o novo terminal deverão ser originados em novas
fronteiras agrícolas como o Mapito (Maranhão, Piauí e Tocantins) e o nordeste
de Mato Grosso.

Num primeiro momento, devido a problemas em um ramal ferroviário, as
cargas estão chegando de caminhão. A primeira foi descarregada no início de
fevereiro.

A reportagem da Reuters verificou na região nordeste de Mato Grosso que a
demanda por frete rodoviário na região está bastante aquecida para a rota
até São Luís.

Atualmente há 30 a 40 caminhões carregando soja diariamente em armazéns
da Louis Dreyfus e da CHS, disse Leandro Miranda Gomes, gerente da filial de uma
transportadora em Querência. “No auge da safra serão 150 a 200 caminhões
diariamente”, projetou ele.

A safra brasileira de soja 2014/15, que deverá atingir um recorde superior
a 90 milhões de toneladas, está começando a ser colhida e aos poucos chega
aos portos brasileiros, apesar de problemas recentes causados por bloqueios de
caminhoneiros em diversas estradas do país.