SOJA: Aprosoja considera otimista a projeção do USDA para safra brasileira

Porto Alegre, 19 de janeiro de 2015 – A mais recente projeção do
Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) para a safra 2014/15 de
soja brasileira foi “muito otimista” em 4 ou 5 milhões de toneladas, de
acordo com a Aprosoja Brasil. No último dia 12 o USDA projetou a produção
recorde de 95,5 milhões de toneladas de soja no país. Conforme Almir
Dalpasquale, presidente da Aprosoja, a previsão é “exagerada”.

“Não vemos de onde esse grande incremento viria, dado o pequeno aumento
de área plantada com soja comparada com a safra passada”, disse ele.

Conforme a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), o Brasil produziu
86,1 milhões de toneladas de soja na safra 2013/14. A companhia projetou a
safra atual em 95,9 milhões de toneladas e um aumento de 4,8% na área
plantada.

A falta de chuvas em importantes regiões produtoras do país pode reduzir
mais ainda a colheita. Conforme Dalpasquale, o estado do Mato Grosso,
responsável por 30% da produção nacional teve chuvas abaixo do normal nas
últimas semanas. “Esse é um momento crucial para a soja, e se não tivermos
chuvas nos próximos dias, a produção deverá ser menor do que esperamos”
disse.

Outros importantes estados produtores, incluindo Goiás e Mato Grosso do
Sul, também tiveram menos chuvas e podem apresentar menores rendimentos do que
o esperado.

Produtores brasileiros de soja tiveram safras recorde em 2012/13 e 2013/14
e encaminham nova marca na temporada atual. Um crescimento de 5% ao ano até
2020 seria “razoável”, segundo Dalpasquale.

Grandes incrementos de produção nos últimos anos causou a
implementação de taxas em estradas e ferrovias, além de provocar longos
atrasos em alguns portos. O pior ano foi 2012/13, quando caminhões esperaram
por dias em filas do lado de fora dos portos para descarregar e os navios
esperaram por semanas no par próximos dos portos para embarcar.

No ano passado a situação foi melhor, na medida que a administração dos
portos melhorou o processo de agendamento e investiu em novos equipamentos de
embarque. O atraso nesse ano deve ser ainda menor. “Esse governo deu
prioridade para problemas de logística, especialmente no norte do Mato
Grosso”, explicou Delpasquale.

A presidente Dilma Rousseff aprovou uma lei que aumentou o investimento
privado em portos e empurrou um projeto para pavimentar uma rodovia que conecta
o norte do Mato Grosso com os terminais de embarque na bacia do Amazonas.

O projeto deve ser finalizado em 2016 e novos terminais já estão prontos,
aumentando a capacidade parta exportações na região.

A nova rota já alivia a pressão nos portos sobrecarregados do sul e
sudeste do país.