SEMANA: Negócios com soja travam e preços recuam na maioria das praças

Porto Alegre, 12 de janeiro de 2018 – O mercado brasileiro de soja teve
uma semana de raros negócios e preços caindo na maior parte das regiões. Em
algumas praças, as cotações encontraram sustentação na demanda localizada.
Mas, no geral, a semana foi fraca.

O mercado ainda não engrenou em 2018. Dólar e Chicago acumulam perdas e
os produtores estão priorizando o acompanhamento do desenvolvimento das
lavouras. Em geral, a perspectiva é de uma safra cheia, com instituições e
consultorias revisando para cima suas estimativas.

A saca de 60 quilos caiu de R$ 68,50 para R$ 67,50 entre os dias 5 e 11 de
janeiro, em Passo Fundo (RS). Em Cascavel, a cotação baixou de R$ 67,50 para
R$ 66,00. No Porto de Paranaguá, o preço cedeu de R$ 72,50V para R$ 71,50.

Em Rondonópolis (MT), o preço passou de R$ 62,00 para R$ 63,00. Em
Dourados (MS), a saca avançou de R$ 63,00 para R$ 65,50. Em Rio Verde (GO),
a cotação recuou de R$ 72,50 para R$ 71,50.

As condições não têm favorecido os negócios com a soja no mercado
doméstico. Na Bolsa de Chicago, os contratos com vencimento em março se
desvalorizaram 2,09%, fechando a quinta a US$ 9,50 por bushel. A ampla oferta
mundial da commodity, a previsão de chuvas para a Argentina e o sentimento de
que a safra brasileira será maior que o esperado inicialmente pressionaram o
mercado.

O dólar comercial caiu 0,43% no acumulado da semana, atingindo R$ 3,220, o
que também pesou na formação dos preços domésticos da soja. A moeda
americana segue acompanhando o desempenho do exterior, onde o dólar cai
frente às demais unidades monetárias.

Produção brasileira

A produção brasileira de soja em 2017/18 deverá ficar em 110,437
milhões de toneladas, segundo o quarto levantamento para a safra brasileira de
grãos da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), recuando entre 3,2%
sobrea temporada passada, quando foram colhidas 114,075 milhões de toneladas.
No levantamento de dezembro, a Conab apontava safra de 109,183 milhões de
toneladas.

O número da Conab pode ainda ser considerado conservador. Algumas
consultorias revisaram nesta semana as suas estimativas, passando da casa de
111 milhões a 112 milhões para 114 milhões de toneladas. Lembrando que
SAFRAS & Mercado mantém estimativa acima de 114 milhões desde outubro. A
atual projeção da empresa é de uma produção de 114,6 milhões de toneladas.

Dylan Della Pasqua (dylan@safras.com.br) / Agência SAFRAS