FÓRUM: Estoques globais de soja e milho podem ser recordes em 2015

Foz do Iguaçu, 28 de novembro de 2014 – Se o clima contribuir, os
estoques globais de soja e de milho poderão registrar novos recordes em 2015. A
previsão foi feita há pouco por Pedro Dejneka, da AGR Brasil – ligada a
AgResource (EUA) -, durante o painel “Soja e Milho – Oferta supera demanda e
redesenha mercado de grãos”, realizado no Fórum de Agricultura da América
do Sul (Agricultural Outlook Forum South America), que ocorre em Foz do Iguaçu
(PR). “Se o clima for favorável, tudo indica que, pela primeira vez desde
1960, os estoques mundiais serão recordes para a soja, o milho e o trigo na
temporada 2014/15”, frisa.

Nos Estados Unidos, a situação é semelhante. Em 2013/14, a relação
estoques/uso estava em 2,6% para a soja. Subiu para 12,6% em 2014/15, segundo
números do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA). E pode
atingir 18,6% em 2015/16. “Os estoques norte-americanos devem atingir o
segundo maior patamar em 25 anos”, ressalta.

No Brasil e na Argentina, os estoques podem chegar ao maior patamar em 25
anos. “A produção da América do Sul passou de 116 milhões de toneladas
para mais de 160 milhões em três anos”, pondera Dejneka. “Para a safra
brasileira 2014/15 ainda é muito cedo para estimar, pois vai depender do
clima”, frisa. “Mas deve ficar entre 88,9 milhões de toneladas, se for
muito desfavorável, e 96,2 milhões, sendo bastante favorável”, projeta.

Caso este cenário se confirme, os preços da soja e do milho devem ser
pressionados em 2015. “Mas há uma série de fatores que ainda pode modificar
esta previsão, como o dólar, a China, o clima”, salienta o painelista.

Na China, a queda no Produto Interno Bruto (PIB) pode afetar as compras de
soja do país no mercado global, enquanto a recente queda nas taxas de juros
pode contrabalancear este fato. “Em relação ao clima, o mercado aguarda a
chegada oficial do El Niño para janeiro de 2015, que pode trazer clima
favorável ao desenvolvimento das lavouras tanto da América do Sul como para a
América do Norte”, destaca. Já o dólar valorizado pode estimular a
produção de exportadores (fora os Estados Unidos) mesmo com a queda nos
preços das commodities agrícolas.