pós encerrar o dia com ganhos de dois dígitos na sessão anterior, o mercado internacional da soja, nesta terça-feira (27), opera próximo da estabilidade, porém, em campo negativo. Por volta das 7h40 (horário de Brasília), os principais vencimentos perdiam pouco mais de 1 ponto na Bolsa de Chicago.
Ontem, o mercado foi estimulado pelos bons números dos embarques semanais divulgado pelo USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos), que superaram 1,5 milhão de toneladas. Entretanto, segundo analistas, o impacto dessa informação acaba sendo temporário nesse momento do mercado, e insuficiente para, sozinho, estimular uma continuidade dos ganhos.
Assim, o que se observa nessa manhã, é o mercado ainda buscando mais informações e notícias novas que possam definir uma melhor direção para as cotações.
Clima no Brasil
As notícias sobre as adversidades climáticas no Brasil parecem perder força nesse início da semana, com a chegada de chuvas em algumas regiões produtoras. Apesar disso, os relatos vindos do campo ainda sinalizam uma preocupação grande por parte dos produtores mas, ao mesmo tempo, o mercado global ainda trabalha com números de uma safra cheia no país, na casa de 95 milhões de toneladas, segundo explica Vlamir Brandalizze.
Em Guaíra, no Paraná, a colheita já alcança cerca de 40% da área plantada e a produtividade média é indicada em apenas 30 sacas por hectare. Na cidade, uma das mais importantes na produção de soja do estado, as precipitações seguem irregulares e o calor ainda é intenso.
Em Mato Grosso, na região de Tangará da Serra, o rendimento das lavouras de soja também se mostra bastante irregular por conta do clima adverso. E a preocupação dos produtores locais agora é com a chuva prevista para 15 de fevereiro, que poderia atrasar o desenvolvimento da colheita.
A Faeg (Federação de Agricultura do Estado de Goiás) já sinaliza perdas bilionárias por conta das chuvas irregulares. Segundo números da instituição, as perdas na safra de soja já se aproximam de 15%, ou 1,4 milhão de toneladas a menos na colheita goiana da temporada 2014/15.
Mercado Brasileiro
No mercado brasileiro, os preços apresentaram, nesta segunda-feira, uma ligeira recuperação já que, além das boas altas registradas em Chicago, o dólar também fechou o dia com um pequeno ganho frente ao real. A divisa subiu 0,06%, porém, ficou abaixo dos R$ 2,60 pela terceira sessão consecutiva, terminando os negócios em R$ 2,5905.
Assim, no porto de Rio Grande, a soja da safra 2014/15 ficou em R$ 60,00, com alta de 0,84% e o produto disponível em R$ 61,50, estável. Já em Paranaguá, alta de 1,72% para R$ 59,00 na soja com entrega em abril/15. No interior do país, os preços não apresentaram uma direção definida, com altas de quase 1% em algumas praças e baixas de mais de 4% em outras.
Assim, os negócios no Brasil seguem parados e, para Vlamir Brandalizze, o produtor tem adotado a postura mais acertada nesse momento, já que é preciso esperar as cotações evoluírem um pouco mais para voltarem a participar do mercado. Além de preços mais ajustados, há ainda valores altos dos fretes, os quais seguem firmes e subindo.
“O produtor deve aguardar por momentos mais atrativos e isso se refere a preços de R$ 5,00 a R$ 6,00 a mais do que têm sido praticados nos portos nesse momento, para que compense para que ele volte a vender no interior. E isso não deve ser visto nessa semana, principalmente, porque não há novidades esperadas para o câmbio brasileiro”, orienta o consultor.
