Porto Alegre, 01 de junho de 2018 – O mercado brasileiro de milho teve um
mês de maio de preços mais altos e de ritmo lento na comercialização. O
período foi de preocupação com a safrinha, prejudicada pela falta de chuvas
em regiões produtoras. E ao final do mês o mercado ainda foi muito afetado
pela greve dos caminhoneiros.
Segundo o analista de SAFRAS & Mercado, Fernando Henrique Iglesias, o
mercado apresentou um perfil de negociação bastante discreto no decorrer do
mês de maio. “Produtores e cooperativas optaram por retrair a intenção de
venda em meio à quebra de safra por conta da estiagem prolongada que afetou
duramente vários estados do país”, comenta. Com esse cenário, os preços
acabaram apresentando consistente movimento de alta.
Com o fim da greve dos caminhoneiros, a expectativa é de uma maior
movimentação no mercado, com os compradores buscando o abastecimento.
Deve haver grande busca pelo cereal voltado ao abastecimento dos setores de
proteína animal, bastante afetados pela paralisação dos caminhoneiros. O maior
ímpeto comprador deve garantir um quadro de firmeza nos preços do milho neste
começo de junho.
No balanço mensal, em maio o preço do milho em Campinas/CIF subiu de R$
41,00 para R$ 46,00 a saca de 60 quilos na base de venda. Na região Mogiana
paulista, avançaram de R$ 39,00 para R$ 43,00. Em Cascavel, no Paraná, o
preço avançou de R$ 39,00 a saca para R$ 42,00. Já no Rio Grande do Sul, em
Erechim, as cotações passaram de R$ 42,00 para R$ 43,00 a saca.
Safrinha
A produção de milho safrinha no Brasil deverá alcançar 48,767 milhões
de toneladas em 2018, com uma quebra de 27,61% em relação às 67,368
milhões de toneladas colhidas na temporada anterior. A projeção faz parte da
estimativa divulgada hoje por SAFRAS & Mercado e considera as perdas na
produção decorrentes da estiagem que atingiu importantes regiões produtoras
do país. Em relação ao levantamento anterior, divulgado em abril, que
indicava uma safrinha de 58,525 milhões de toneladas, a redução é de 16,67%.
O levantamento indica um plantio de 10,427 milhões de hectares na segunda
safra, 9,3% abaixo dos 11,49 milhões de hectares cultivados no ano anterior. O
rendimento médio é estimado em 4.677 quilos por hectare, inferior aos 5.863
quilos por hectare obtidos na segunda safra do ano passado.
Lessandro Carvalho (lessandro@safras.com.br) / Agência SAFRAS
