RETROSPECTIVA: Milho esteve apreensivo, mas câmbio equilibrou preços

O ano de 2014 foi marcado pela curva de baixa nos preços internacionais no mercado de milho. Após sucessivas perdas de produção, as safras da América do Sul e dos Estados Unidos se mostraram satisfatórias inclusive com os Eua com novo recorde. Isso trouxe os preços externos para os níveis mais baixos dos últimos quatro anos e gerou apreensão no mercado nacional.

O primeiro semestre ainda foi especulativo devido à tradicional expectativa com clima na safra dos EUA e com a safrinha brasileira. Isso propiciou bons preços tanto para o milho disponível quanto para negociações antecipadas da safrinha. Infelizmente, muitos produtores brasileiros continuaram excessivamente otimistas, não observando os indicadores fundamentais e perderam as melhores oportunidades de comercialização.

No segundo semestre, a situação foi de confirmação da safra recorde norte-americana e de mais uma ótima safrinha brasileira. Consequentemente, os preços cederam na Bolsa de Chicago e também no mercado interno caíram rapidamente, acompanhando os fatores fundamentais. Mesmo com boa demanda mundial, os preços não conseguiram evitar a baixa, o que revela, mais uma vez, que os preços são guiados pela oferta e menos pela demanda em seus movimentos mais extremos.

Para o mercado brasileiro, a péssima condição da economia brasileira gerou movimentos cambiais importantes no segundo semestre, que inibiram um caos mais acentuado nos preços internos em reais. Mesmo assim, mais uma vez houve queda de preços abaixo dos preços mínimos e um ação do governo para atender o escoamento da safrinha do Mato Grosso.

Dessa forma, os preços seguiram a regra fundamental que estoques altos apontam para baixa de preços, e o mercado interno ainda conseguiu inibir o processo de queda devido à desvalorização do real. As exportações de milho devem se manter entre 20/21 milhões de tons no ano comercial atual, reduzindo a pressão de estoques internos.

Houve um certo atraso de plantio da safra de verão. Isso deverá prolongar um pouco a entressafra no Sudeste do pais, pelo menos. O câmbio continua especulativo e aguardando as decisões da nova equipe econômica. Esses são os únicos dois indicadores de atenção para o inicio de 2015. O clima mantém as lavouras em ótimas condições neste momento. A partir de janeiro, já teremos colheitas no Rio Grande do Sul pressionando mercados como Paraná e Mato Grosso do Sul.

A dúvida fica apenas com São Paulo e Minas Gerais que terão colheitas
mais tardias e podem ainda manter algum suporte de preços. Os estoques altos de milho no mercado interno podem compensar esta entressafra mais longa. Não devem surgir surpresas de mercado externo, já que o clima na América do Sul e Rússia já são informações que vão sendo absorvidas pelo mercado.