Porto Alegre, 6 de março de 2015 – Os preços da soja subiram nesta
semana nas principais praças de comercialização do país, impulsionados pela
alta do dólar frente ao real. A comercialização ganhou ritmo em algumas
regiões, mas não houve um aumento significativo e generalizado no volume de
negócios, por conta da queda nas cotações futuras em Chicago.
Em Passo Fundo (RS), o preço da saca de 60 quilos subiu de R$ 63,50 para
R$ 64,50. Em Cascavel (PR), a cotação passou de R$ 60,50 para R$ 61,50. Em
Rondonópolis (MT), a saca avançou de R$ 56,00 para R$ 57,50. Em Dourados
(MS), o preço saltou de R$ 55,50 para R$ 56,00, enquanto em Rio Verde (GO)
pulou de R$ 59,00 para R$ 60,00.
O fator decisivo para a alta nas cotações domésticas foi o câmbio. O
dólar comercial acumulou valorização de 4,33% na semana, sendo cotado a R$
3,011 no final da quinta, 5. Este é o maior patamar da moeda americana desde
agosto de 2004. As apreensões em torno do cenário político e econômico do
Brasil trouxeram cautela aos investidores, que correram para o dólar,
considerado um investimento seguro.
A alta do dólar favorece as exportações de commodities agrícolas brasileiras,
como a soja e seus derivados. Enquanto o Brasil ganha competitividade, os
Estados Unidos veem seus preços encarecerem, à medida que o dólar está
subindo frente a outras moedas. No caso americano, há otimismo em relação ao
ritmo de crescimento da economia,sustentado o dólar, mas pesando sobre as commodities.
Como consequência, os contratos futuros em Chicago desabaram 4,6% nesta
semana, com os contratos com vencimento em maio atingindo US$ 9,86 na quinta,
o menor nível desde 11 de fevereiro. A pressão tem sido exercida pelo sentimento
cada vez maior de recuo na demanda pelo produto americano, com o foco do
mercado se voltando para a América do Sul.
Além da questão do câmbio, há outras sinalizações desta transferência
de interesse do comprador. A safra sul-americana se desenvolve
bem e a colheita ganha ritmo no Brasil, aumentando a disponibilidade da
oleaginosa em um período de preços bem mais remuneradores no mercado
sul-americano. A expectativa é de ampla oferta, já que Brasil e Argentina
deverão obter neste ano as maiores safras da história.
Completando o quadro negativo, o governo chinês revisou a sua previsão de
crescimento da economia parta 7% em 2015. Se confirmada, esta seria a menor
taxa em 22 anos. A China é a principal compradora de soja do mundo. Qualquer
sinalização de arrefecimento na demanda chinesa reflete em perdas quase
automáticas nos preços da soja, o que ocorreu nesta semana.
USDA
O Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) deverá indicar
retração na sua estimativa para os estoques finais americanos em 2014/15. O
relatório de março do USDA será divulgado nesta terça-feira, 10, às 13hs.
Analistas consultados pelas agências internacionais apontam que a estoques
deverão ficar em 379 milhões de bushels, abaixo da previsão de fevereiro,
que era de 385 milhões. No ano passado, o carryover ficou em 92 milhões de
bushels.
Em relação ao quadro de oferta e demanda mundial, o mercado aposta em
elevação nos estoques finais da temporada 2014/15, que subiriam de 89,3
milhões para 89,4 milhões de toneladas.
As atenções do mercado se voltam também para os números do USDA para a
produção sul-americana. Para o Brasil, a aposta é de um corte na estimativa
de safra 2014/15, de 94,5 milhões para 93,9 milhões de toneladas. Já a
previsão para a Argentina deve ser elevada de 56 milhões para 56,6 milhões de
toneladas
