Porto Alegre, 27 de abril de 2018 – O mercado brasileiro de soja teve em
abril um período de preços sustentados e boa movimentação, principalmente
nas duas primeiras semanas do mês. Mesmo que os contratos futuros tenham
caído em Chicago, a elevação do dólar e valorização dos prêmios de exportação
garantiram a performance positiva.
No centro das movimentações do mercado internacional de soja esteve a
tensão comercial entre Estados Unidos e China. No início do mês, o governo
chinês anunciou a intenção de sobretaxar a soja americana em 25%. Mesmo que
a tarifa não tenha sido adotada, a ameaça mexeu no mercado.
O desaquecimento da demanda chinesa pela oleaginosa dos Estados Unidos
pesou sobre as cotações em Chicago. Os contratos com vencimento em julho
recuaram 1,75% no mês, fechando o dia 27 a US$ 10,39. No início do mês, o
contrato era cotado a US$ 10,57 o bushel.
O deslocamento da procura do país asiático para o Brasil determinou uma
forte valorização dos prêmios de exportação. Para maio, os prêmios
chegaram a bater na casa de 185 pontos acima de Chicago, recorde para o
período. No final do mês, os prêmios baixaram para 90 a 125 pontos, ainda bem
acima do normal.
Para completar o cenário positivo, o câmbio favoreceu os negócios. A
moeda norte-americana se valorizou 5,4% no mês, passando de R$ 3,30 para R$
3,478. Nas máximas do período, o dólar rompeu a casa de R$ 3,50, seguindo o
mercado externo e reagindo às incertezas no campo político.
Como resultado deste cenário, a saca de 60 quilos saltou de R$ 75,50 para
R$ 82,50 em Passo Fundo (RS). Em Cascavel (PR), o preço subiu de R$ 73,50
para R$ 80. No Porto de Paranaguá, a cotação avançou de R$ 80,40 para R$ 87,00.
Em Rondonópolis (MT), o preço pulou de R$ 68,30 para R$ 76,00. Em
Dourados (MS), a saca aumentou de R$ 68,00 para R$ 75,00. Em Rio Verde
(GO), a cotação subiu de R$ 66,00 para R$ 77,00.
Dylan Della Pasqua (dylan@safras.com.br) / Agência SAFRAS
