Porto Alegre, 16 de janeiro de 2015 – Os preços da soja recuaram forte
nesta semana no mercado físico brasileiro, acompanhando o a baixa acentuada dos
contratos futuros na Bolsa de Mercadorias de Chicago (CBOT). Como
consequência, os vendedores saíram do mercado e os negócios praticamente
pararam. A desvalorização do dólar comercial também contribuiu para a
retração doméstica.
A origem da queda no Brasil é a forte desvalorização dos preços em
Chicago. Entre os dias 8 e 15 de janeiro, os contratos com entrega em março
despencaram 5,25%, encerrando a quinta a US$ 9,91, o nível mais baixo desde o
final de outubro.
A trajetória de queda em Chicago teve início na segunda, após a
divulgação do relatório de janeiro do Departamento de Agricultura dos Estados
Unidos (USDA), considerado baixista. O Departamento desenhou um cenário de
aumento na oferta mundial da oleaginosa, deflagrando vendas por parte de fundos
e especuladores.
O USDA elevou as estimativas de safra dos dois principais produtores
mundiais de soja, Estados Unidos e Brasil. Ao contrário das projeções do
mercado, o relatório manteve a estimativa para os estoques americanos, enquanto
a aposta era de corte. Os estoques mundiais também foram elevados.
Adicionando pressão aos contratos, o mercado começa a avaliar um novo
aumento no plantio americano em 2015. Com preços mais atrativos, a soja deve
ganhar espaço do milho, na conhecida batalha por acres. Segundo a consultoria
Informa, a área será recorde em 2015, ocupando 88 milhões de acres.
Se já não houvesse motivo suficiente para a baixa externa, ontem a
Associação Norte-Americana de Processadores de Óleos Vegetais (NOPA) indicou
processamento americano em dezembro abaixo do esperado pelo mercado. A queda na
demanda interna intensificou as perdas em Chicago.
Mesmo com sinais positivos de demanda externa – bons números de inspeção
e exportação semanais nos Estados Unidos e importações chinesas recordes em
2014 -, o mercado sentiu o impacto desde novo quadro de oferta. No Brasil não
foi diferente. Até porque as condições climáticas estão favorecendo o
desenvolvimento das lavouras e a colheita inicial da nova safra brasileira.
Como resultado, os preços caíram forte na segunda semana do ano. Em Passo
Fundo (RS), a saca de 60 quilos recuou de R$ 67,50 no dia 8 para R$ 61,00 na
quinta, 15. No mesmo período, o preço caiu de R$ 61,00 para R$ 57,00 em
Cascavel, no Paraná.
Em Rondonópolis (MT), a saca baixou de R$ 57,00 para R$ 51,50. Em
Dourados, no Mato Grosso do Sul, a cotação recuou de R$ 60,00 para R$ 55,00.
Em Rio Verde (GO), a saca baixou de R$ 58,00 para R$ 55,00.
