RETROSPECTIVA: Safra recorde de soja dos EUA pressionou mercado

O ano foi de muitas oscilações no mercado de soja. Em Chicago, os contratos futuros da oleaginosa chegaram a atingir mais de 15 dólares por bushel, mas fecham o ano próximos de 10 dólares, as menores cotações em quatro anos.

Segundo o analista de SAFRAS & Mercado, Luiz Fernando Gutierrez, a confirmação da maior safra da história nos Estados Unidos – colhida neste último trimestre e que ultrapassou 100 milhões de toneladas – trouxe grande pressão ao mercado internacional. A grande oferta de soja que entra no mercado, devendo haver também a confirmação de supersafras na América do Sul, naturalmente traz uma pressão no lado fundamental.

“Após três safras de preços em alta e rentabilidades excelentes, o ano de 2015 deverá ser de margens mais curtas aos produtores”, aponta Gutierrez. Em âmbito interno, o dólar se torna grande aliado do produtor brasileiro, devendo ser fator de sustentação dos preços, já que o mercado trabalha dentro de um consenso de uma maior desvalorização do real frente ao dólar ao longo de 2015, coloca.

Nesta nova temporada, o Brasil também deverá colher a maior safra de sua história, com área e produção recordes. Após um início de plantio preocupante, o retorno de um clima favorável às regiões produtoras permitiu a retomada de um bom ritmo aos trabalhos de semeadura. “A previsão de clima positivo para os próximos meses na maior parte do país anima os produtores e traz boas perspectivas para a confirmação de uma safra cheia”, diz Gutierrez.

A estimativa de dezembro de SAFRAS & Mercado para a cultura de soja na temporada 2014/2015 apresentou um aumento de 11% para a produção do Brasil. A produção brasileira ficou projetada em 95,904 milhões de toneladas, ante 86,623 milhões de toneladas colhidas em 2013/14. SAFRAS estima um avanço de 5% na área plantada em todo o país, passando de 29,917 para 31,430 milhões de hectares. O rendimento médio deve avançar, passando de 2.898 para 3.051 quilos por hectare.