Nesta quarta-feira (17), os futuros da soja negociados na Bolsa de Chicago mostram oscilações pouco expressivas e tentam recuperar partes das perdas registradas na sessão anterior. Assim, por volta das 11h20 (horário de Brasília), as posições mais negociadas subiam pouco mais de 2,50 pontos.
O mercado se mostra mais na defensiva e ainda de olho no cenário macroeconômico global turbulento e direcionado por nervosismo e pelas notícias que chegam, principalmente, da Rússia, onde uma crise se instalou e sobre a qual os analistas e especialistas já sinalizam uma possibilidade de contágio a demais nações emergentes. Essa opinião, no entanto, tem dividido os especialistas.
Ainda nesta quarta, os investidores seguem atentos ao andamento das cotações do petróleo – que mais uma vez operavam em campo negativo em Nova York tentando manter os US$ 55,00 por barril – e à espera da decisão do Federal Reserve, o banco central norte-americano, sobre as taxas de juros no país.
E todos esses fatores impactam diretamente no dólar frente não só ao real, mas à cesta das principais moedas internacionais. Nesta quarta, a divisa americana mostra um mercado mais calmo frente à brasileira, depois de, na sessão anterior, atingir o mais alto patamar em nove anos. Por volta das 11h30 (Brasília), o dólar tinha leve queda de 0,15% valendo R$ 2,737.
O mercado, entretanto, opera com volatilidade na sessão de hoje e já testou os dois lados da tabela. Porém, segundo explicam os analistas, a moeda segue rondando as máximas em quase dez anos.
Paralelamente às incertezas do cenário externo, no Brasil o mercado atento às medidas pretendidas pela nova equipe econômica do país. Hoje, o presidente do Banco Central, Alexandre Tombini, voltou a afirmar que, em 2015, os leilões de swap cambial devem ter continuidade e que os parâmetros das operações “serão definididos proximamente”.
Com esses patamares na taxa cambial, os preços dos grãos negociados nos portos brasileiros também registram os melhores momentos da temporada 2014/15 até o momento. A soja com entrega para maio do ano que vem, nesta quarta, vem sendo negociada a R$ 67,00 por saca no porto de Rio Grande. Ontem, esse valor chegou aos R$ 68,30. No porto de Paranaguá, a soja futura vem trabalhando no patamar dos R$ 66 e o milho em R$ 30,50/saca.
Bolsa de Chicago
Na Bolsa de Chicago, os preços caminham de lado no pregão desta quarta-feira. Os principais vencimentos já testaram os dois lados da tabela e, por volta de 12h50 (horário de Brasília), recuavam entre 4 e 6,25 pontos. O vencimento janeiro/15 valia US$ 10,17 por bushel, enquanto o contrato maio/15, referência para a safra brasileira, era negociado a US$ 10,31.
Para Bryce Knorr, editor sênior do site norte-americano Farm Futures, o mercado internacional tem em seu foco também o desenvolvimento do clima na América do Sul. “A safra brasileira está quase toda plantada. Na última semana, o governo (Conab) divulgou uma grande estimativa para a produção de soja de 95,8 milhões de toneladas, enquanto algumas consultorias privadas apostam ainda em 91 milhões. O USDA, na última semana, projetou a colheita do país em 94 milhões de toneladas”, disse sua análise diária.
Sobre a Argentina, o que preocupa agora é o excesso de chuvas. Nos próximos 6 a 10 dias, de acordo com informações de institutos meteorológicos, serão de tempo bastante úmido no país.
Além disso, também de acordo com analistas, os investidores, nessas últimas semanas de 2014, têm se pautado em cima dos dois boletins semanais que o USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos) divulga às segundas e quintas-feiras, com a atualização dos dados dos embarques e vendas semanais para exportação.
