SEMANA: Comercialização do trigo segue lenta, mas safra nova já pressiona

Porto Alegre, 12 de agosto de 2016 – O mercado brasileiro de trigo operou
com a mesma baixa liquidez das últimas semanas. Segundo o analista de
SAFRAS &Mercado, apenas negócios pontuais foram realizados, a volumes
reduzidos e preços elevados. “Estes negócios não servem de referencia para o
mercado. Apesar da baixa oferta disponível no âmbito doméstico, o Paraná
apresentou uma retração nas cotações, já sendo reflexo da iminência da entrada
da safra nova no mercado”, analisa.

Em um primeiro momento, a tendência dos preços é de queda, em
decorrência da elevação da oferta no curto espaço de tempo, porém, com a
dificuldade na comercialização do milho, o trigo poderá ser novamente uma
potencial alternativa as indústrias de ração, e estas estão dispostas a
pagar valores superiores pelo cereal.

“Assim como nesta temporada, as cotações poderão ser sustentadas pelo
milho. Mesmo dentro de um cenário de safra cheia, a necessidade de importação
existirá, e inclusive poderá crescer, visto que o consumo interno tende a
crescer dentro desta conjuntura. Porém, é importante destacar que mesmo assim
os preços internos poderão ser balizados mais pelos preços do milho do que
necessariamente pelas paridades de importação”, finaliza.

No Rio Grande do Sul, conforme a Emater/RS, com a continuidade das
condições climáticas favoráveis, proporcionando temperaturas baixas,
principalmente à noite, boa insolação durante o dia e precipitações
suficientes ao bom desenvolvimento da cultura, o trigo se encontra em final de
estádio vegetativo com excelente potencial produtivo. As lavouras semeadas no
cedo já atingem as fases de elongamento e florescimento. Os produtores
realizaram os tratos culturais pertinentes ao período e continuam realizando o
monitoramento de pragas e doenças.

No Paraná, o Departamento de Economia Rural (Deral), da Secretaria de
Estado da Agricultura e do Abastecimento do Estado, informou, em seu relatório
semanal, que 95% das lavouras estão em boas condições e 5% em situação
média, divididas entre as fases de crescimento vegetativo (36%), floração
(38%) e frutificação (26%).

A produção de trigo Paraná deve ficar em 3,357 milhões de toneladas na
safra 2015/16, 2% acima das 3,285 milhões de toneladas colhidas na safra
2014/15. A área plantada foi estimada em 1,096 milhão de hectares de trigo,
que deve recuar 19% frente aos 1,346 milhão de hectares plantados na temporada
anterior. O rendimento médio deve ficar em 3.055 quilos por hectare na safra
2015/16, 25% acima dos 2.248 quilos obtidos na safra anterior (2014/15).

O Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA, na sigla em
inglês) divulga hoje, às 13h, seu relatório de oferta e demanda para o trigo
na safra 2016/17. O documento deve trazer números atualizados relativos à
produção e estoques dos Estados Unidos e do mundo.

Segundo analistas consultados por agências internacionais, os estoques
finais dos Estados Unidos em 2016/17 devem ser indicados em 1,115 bilhão de
bushels – alta ante os 1,105 bilhão estimados no mês passado. As estimativas
variaram de 1,080 a 1,213 bilhão de bushels. A produção de trigo dos Estados
Unido é estimada em 2,269 bilhões de bushels em 2016/17, acima do estimado
em julho e do produzido na safra anterior. O trigo de inverno deve totalizar
1,63 bihlão de bushel, também acima do último ano.

Gabriel Nascimento (gabriel.antunes@safras.com.br) / Agência SAFRAS