MERCADO: Trigo tem poucos negócios no Brasil à espera de melhores condições

Porto Alegre, 10 de julho de 2017 – O mercado brasileiro de trigo iniciou
a semana ainda com reduzido volume de negócios. Segundo o analista de
SAFRAS &Mercado, Élcio Bento, a alta dos preços internacionais faz com
que os vendedores se coloquem numa posição defensiva, aguardando que o
encarecimento do custo de importação possibilite melhores momentos para
negociar os lotes remanescentes da safra velha.

A redução da área plantada com o cereal nos Estados Unidos e o clima
adverso elevaram as cotações em Chicago de US$ 4.50/bushel no último dia 26
de junho para US$ 5.50/bushel no fechamento desta segunda-feira. “Esse
comportamento também se verifica para o trigo hard cotado em Kansas”, disse o
analista. Com o produto norte-americano se elevando em mais de US$
1.00/bushel, os demais exportadores tendem a ajustar suas pedidas.

“Pela paridade de importação, numa eventual compra por um moinho
paulistano o trigo hard dos Estados Unidos, saindo a US$ 278/tonelada do FOB
do Golfo do México, seria disponibilizado para moagem a US$ 390/tonelada. O
produto argentino partindo do FOB a US$ 200/tonelada chegaria o mesmo destino
a US$ 258/tonelada. Essa diferença de US$ 132/tonelada (R$ 430/tonelada pelo
câmbio atual) tende a ser corrigida”, analisou Bento.

Chicago

A Bolsa de Mercadorias de Chicago (CBOT) para o trigo registrou preços
acentuadamente mais altos. O mercado foi impulsionado pelas preocupações com
o tempo quente e seco em regiões produtoras dos Estados Unidos, o que pode
afetar o desenvolvimento das lavouras. As informações são da Agência
Reuters.

Os investidores também estão em compasso de espera para o relatório de
julho do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos, que será divulgado na
quarta-feira (12). Segundo analistas consultados por agências internacionais, a
produção de trigo dos Estados Unidos em 2017/18 é projetada em 1,746 bilhão
de bushels, abaixo dos 1,824 bilhão de toneladas estimados em junho e bem
abaixo dos 2,31 bilhões de bushels indicados para a 2016/17.

Conforme os analistas, os estoques finais dos Estados Unidos em 2016/17
devem ser indicados em 1,176 bilhão de bushels – alta ante os 1,161 bilhão
estimados no mês passado. Ao final da safra 2017/18, os analistas esperam as
reservas norte-americanas em 879 milhões de bushels. Em junho, o USDA
estimou 924 milhões de bushels.

Os estoques globais ao final de 2016/17 são estimados em 255,2 milhões de
toneladas, abaixo das 256,4 milhões de toneladas estimadas em junho. Para
2017/18, os estoques finais são estimados em 256,6 milhões de toneladas, na
média dos analistas. A estimativa de junho foi para 261,2 milhões de
toneladas.

As inspeções de exportação norte-americana de trigo chegaram a 533.872
toneladas na semana encerrada no dia 6 de julho, conforme relatório semanal
divulgado pelo Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA).

Na semana anterior, as inspeções de exportação de trigo haviam atingido
518.499 toneladas. Em igual período do ano passado, o total inspecionado fora
de 379.726 toneladas. No acumulado do ano-safra, iniciado em 1o de junho, as
inspeções somam 3.340.523 toneladas, contra 2.657.584 toneladas no acumulado
do ano-safra anterior.

Os contratos com entrega em setembro eram cotados a US$ 5,50 1/2 por
bushel, com ganho de 15,50 centavos de dólar, ou +2,89%, em relação ao
fechamento anterior. Os contratos com entrega em dezembro eram negociados a
US$ 5,74 1/2, alta de 16,75 centavos de dólar, ou +3,00%.

Câmbio

O dólar comercial fechou a sessão com queda de 0,73%, cotado a R$ 3,2590
para compra e a R$ 3,2610 para venda. Durante o dia, a moeda norte-americana
oscilou entre a mínima de R$ 3,2590 e a máxima de R$ 3,2810.

Agenda de terça-feira

– A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) divulga nova estimativa para a
safra brasileira de grãos em 2016/17, às 9hs.

– O IBGE divulga levantamento sistemático de produção agrícola referente a
junho, às 9hs.

– Desenvolvimento das lavouras do Paraná – Deral, início do dia.

– A Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA) realizará uma coletiva
de imprensa na próxima terça-feira (11), às 10h30, na sede da ABPA, em São
Paulo (SP).

Gabriel Nascimento (gabriel.antunes@safras.com.br) / Agência SAFRAS