MERCADO TRIGO: Negócios seguem lentos no Brasil e preços variam pouco

   Porto Alegre, 11 de julho de 2023 – O mercado brasileiro de trigo segue operando com lentidão e preços sem grandes alterações. Os moinhos seguem na defensiva e alongando as aquisições para retirada a partir de agosto.

   No Rio Grande do Sul foi reportado negócio a R$ 1.300 a tonelada. No Paraná indicações no CIF moinhos a R$ 1.500/tonelada.

   Segundo o analista de SAFRAS & Mercado, Élcio Bento, com a safra seguindo sem grandes percalços e, com a farinha dando sinais de arrefecimento, a indústria segue reticente em alongar seus estoques. “A percepção é de que os preços de safra nova serão bastante inferiores aos da velha. No oeste do Paraná, por exemplo, onde o cereal ingressa a partir da segunda quinzena de setembro, as indicações ficam por volta de R$ 1.250/tonelada. Isso corresponde a uma queda de 12,5% sobre os preços da safra velha”, disse.

   Os negócios no mercado mineiro a R$ 1.300/tonelada corroboram essa percepção da busca de um patamar inferior para os grãos de safra nova. “Um movimento que não seja nessa direção somente ocorre numa eventual frustração da produção nacional”, salientou.

Chicago

   A Bolsa de Mercadorias de Chicago (CBOT) para o trigo encerrou com preços acentuadamente mais altos. O mercado foi impulsionado pelas lavouras dos Estados Unidos piores que o esperado e pelo clima adverso sobre algumas regiões produtoras do país.

   Segundo a Dow Jones, o trigo de inverno das planícies do sul dos EUA sofre com chuvas intensas, que atrasam a colheita e causam doenças nas plantas. A alta do petróleo e a desaceleração do dólar frente a outras moedas completaram o cenário positivo aos preços.

   Além disso, de acordo com a Reuters, a Rússia lançou ataques contra a capital da Ucrânia, no porto de Odesa, no Mar Negro, e na região sul de Kherson, nesta terça-feira. O ataque foi antes do início da cúpula da Otan na Lituânia, onde ameaças à segurança de Moscou estavam na agenda.

   O USDA divulgou dados sobre as condições das lavouras americanas de trigo primavera. Segundo o USDA, até 9 de julho, 47% estão entre boas e excelentes condições (o mercado esperava 49%), 37% em situação regular e 16% em condições entre ruins e muito ruins. Na semana passada, os percentuais ficavam em 48%, 40% e 12%, respectivamente.

   Já o trigo de inverno, segundo o USDA, até 9 de julho, 40% estavam entre boas e excelentes condições (o mercado esperava 40%), 32% em situação regular e 28% em condições entre ruins e muito ruins. Na semana passada, as condições se dividiam em 40%, 31% e 29%, respectivamente. Até 9 de julho, a colheita das lavouras de inverno dos EUA estava apontada em 46%. O mercado esperava 51%. Na semana passada, eram 37%. Em igual período do ano passado, o número estava em 62% e a média dos últimos cinco anos é de 59%.

   No fechamento, os contratos com entrega em setembro eram cotados a US$ 6,60 1/2 por bushel, alta de 14,25 centavos de dólar, ou 2,2%, em relação ao fechamento anterior. Os contratos com entrega em dezembro eram negociados a US$ 6,78 por bushel, recuo de 14,50 centavos, ou 2,18% em relação ao fechamento anterior.

Câmbio

   O dólar comercial encerrou a sessão em queda de 0,43%, sendo negociado a R$ 4,8610 para venda e a R$ 4,8590 para compra. Durante o dia, a moeda norte-americana oscilou entre a mínima de R$ 4,8550 e a máxima de R$ 4,9230.

Gabriel Nascimento (gabriel.antunes@safras.com.br) / Agência SAFRAS

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