Porto Alegre 15 de agosto de 2016 – O mercado brasileiro de trigo deve
apresentar um comportamento diferenciado nas duas principais praças de
comercialização. No Paraná, com a proximidade da colheita e com os preços do
milho se acomodando, as cotações devem buscar o nível de paridade de
importação. Segundo o analista de SAFRAS & Mercado, Jonathan Pinheiro, nesta
segunda-feira, as cotações no estado estão acima do custo de importação
argentino e muito próximo do trigo hard dos Estados Unidos.
“Com a colheita no Paraguai, a pressão via paridade de importação
será maior. Por tudo isso, a tendência é que os preços recuem em relação
aos R$ 850,00 por tonelada, verificados atualmente”. Conforme Pinheiro, no Rio
Grande do Sul, onde a colheita inicia apenas em meados de outubro, apesar do
milho estar acima do preço do trigo, as cotações tendem a permanecer firmes
até a entrada da próxima safra.
“O Brasil, segundo reportes de exportações americanos, segue trazendo
volume considerável do cereal proveniente dos EUA, reflexo do preço
internacional atrativo, possibilitado pelas quedas no petróleo, bem como nas
bolsas americanas, pressionadas pelos maiores estoques mundiais da história,
mesmo com a retração divulgada pelo relatório de oferta e demanda mundial do
departamento de agricultura dos Estados Unidos”, destaca Pinheiro.
Chicago
A Bolsa de Mercadorias de Chicago (CBOT) para o trigo encerrou as
operações de hoje com preços mais baixos. O mercado foi pressionado por
fatores técnicos, apesar do quadro favorável aos preços do trigo. Mais cedo o
mercado registrava alta em meio ao corte nos estoques de trigo dos Estados
Unidos no relatório de oferta e demanda de agosto, divulgado na sexta-feira
(12).
A safra 2016/17 do cereal no país é estimada em 2,321 bilhões de
bushels, contra 2,261 bilhões estimados no mês anterior e 2,052 bilhões de
bushels em 2015/16. Os estoques finais do país em 2016/17 foram projetados em
1,1 bilhão de bushels, contra 1,105 bilhão de bushels estimados em julho. O
número para 2015/16 segue em 981 milhões de bushels.
Analistas consultados por agências internacionais, esperavam os estoques
finais dos Estados Unidos em 2016/17 em 1,115 bilhão de bushels, com
estimativas entre 1,080 a 1,213 bilhão de bushels. A produção de trigo dos
Estados Unido era esperada em 2,269 bilhões de bushels em 2016/17.
A produção de trigo dos Estados Unido é estimada em 2,269 bilhões de
bushels em 2016/17, acima do estimado em julho e do produzido na safra anterior.
O trigo de inverno deve totalizar 1,63 bihlão de bushel, também acima do
último ano.
As inspeções de exportação norte-americana de trigo chegaram a 625.154
toneladas na semana encerrada no dia 11 de agosto, conforme relatório semanal
divulgado pelo Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA).
Na semana anterior, as inspeções de exportação de trigo haviam atingido
407.212 toneladas. Em igual período do ano passado, o total inspecionado fora
de 560.328 toneladas. No acumulado do ano-safra, iniciado em 1o de junho, as
inspeções somam 5.395.291 toneladas, contra 4.154.136 toneladas no acumulado
do ano-safra anterior.
Os contratos com entrega em setembro fecharam negociados a US$ 4,22 por
bushel, baixa de 0,50 centavo de dólar em relação ao fechamento anterior. Os
contratos com entrega em dezembro fecharam negociados a US$ 4,38 1/4, recuo
de 1,75 centavo de dólar.
Câmbio
O dólar comercial fechou as negociações em alta de 0,15%, cotado a R$
3,1880 para compra e a R$ 3,1900 para venda. Durante o dia, a moeda
norte-americana oscilou entre a mínima de R$ 3,1590 e a máxima de R$ 3,1910.
Gabriel Nascimento (gabriel.antunes@safras.com.br) / Agência SAFRAS
