Porto Alegre, 19 de junho de 2017 – O mercado brasileiro de trigo inicia
a penúltima semana do mês de junho ainda avaliando tanto os atrasos no plantio
da próxima safra, quanto a possível melhora das cotações para este
encerramento de temporada. Segundo o analista de SAFRAS & Mercado,
Jonathan Pinheiro, a situação do plantio no Rio Grande do Sul segue mais agravada.
“Os atrasos estão por volta de 40% em relação a média dos últimos 5
anos. O prazo de encerramento dos trabalhos pode não ser cumprido, acarretando
na desistência de parte da área das lavouras destinadas ao trigo, estimada
inicialmente”, disse.
Quanto aos preços, a tendência segue de alta, já confirmada por recentes
recuperações nas cotações, tendo em vista uma redução da oferta
disponível tanto no âmbito doméstico, quanto dos excedentes exportáveis dos
vizinhos do Mercosul. “Vale ressaltar também que o câmbio operou ao longo da
semana anterior acima dos R$ 3,30 favorecendo a competição do trigo
brasileiro frente o mercado internacional, potencializando o viés altista”,
finalizou o analista.
Chicago
A Bolsa de Mercadorias de Chicago (CBOT) para o trigo registrou preços
predominantemente mais baixos. O mercado reverteu os ganhos iniciais e foi
pressionado pela forte queda nos preços do milho. Durante o dia, os
investidores observaram as preocupações com o clima adverso ao desenvolvimento
das lavouras no cinturão produtor. A boa demanda para o cereal norte-americano
trouxe suporte aos preços nas primeiras posições.
As inspeções de exportação norte-americana de trigo chegaram a 739.634
toneladas na semana encerrada no dia 15 de junho, conforme relatório semanal
divulgado pelo Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA).
Na semana anterior, as inspeções de exportação de trigo haviam atingido
801.725 toneladas. Em igual período do ano passado, o total inspecionado fora
de 571.724 toneladas. No acumulado do ano-safra, iniciado em 1o de junho, as
inspeções somam 1.627.814 toneladas, contra 1.192.879 toneladas no acumulado
do ano-safra anterior.
Os contratos com entrega em julho de 2017 eram cotados a US$ 4,67 por
bushel, com ganho de 1,75 centavo de dólar, ou +0,37%, em relação ao
fechamento anterior. Os contratos com entrega em setembro eram negociados a
US$ 4,83, alta de 1,50 centavos de dólar, ou +0,31%.
Câmbio
O dólar comercial fechou a sessão estável, cotado a R$ 3,2870 para
compra e a R$ 3,2890 para venda. Durante o dia, a moeda norte-americana
oscilou entre a mínima de R$ 3,2850 e a máxima de R$ 3,3160.
Agenda de terça-feira
– Alemanha: o índice de preços ao produtor de maio será publicado às 3h pelo
departamento oficial de estatísticas do país.
– Desenvolvimento das lavouras do Paraná – Deral, início do dia.
Gabriel Nascimento (gabriel.antunes@safras.com.br) / Agência SAFRAS
