MERCADO: Indústria bem estocada limita negociação do trigo no Brasil

Porto Alegre, 4 de abril de 2017 – O mercado brasileiro de trigo chega a
esta terça-feira ainda em ritmo lento de comercialização, tendo em vista que
a indústria nacional está bem abastecida e sem necessidade de novas
aquisições no curto prazo. O analista de SAFRAS & Mercado, Jonathan Pinheiro,
estima que os moinhos apresentem estoques suficientes para pelo menos mais
30 dias, nas duas principais regiões produtoras do país, porém, com maior
capacidade de alongamento destes estoques no estado do Paraná, tendo em vista
ainda a chegada de alguns lotes que tiveram sua compra antecipada.

No Rio Grande do Sul, com a logística atual toda voltada à colheita da
soja, impossibilita novos negócios no momento, e esta tendência tende a
permanecer até o encerramento da mesma, ao final deste mês. Os preços
seguem sem espaços para recuperações, tendo em vista uma oferta abundante no
âmbito doméstico, tanto pela produção nacional, quanto pelo ingresso do produto
importado.

“Apesar do governo escoar parte da produção nacional, o equivalente a
pouco mais de 30% da safra nacional, via mecanismo de PEP e PEPRO, o
ingresso do trigo proveniente do mercado internacional segue em volumes ainda
maiores, até porque com a atual taxa cambial estes preços, pelas paridades de
importação, seguem mais atrativos que os internos”, analisa.

Chicago

A Bolsa de Mercadorias de Chicago (CBOT) para o trigo encerrou as
operações de hoje com preços predominantemente mais altos. O mercado foi
sustentado pela piora no quadro de desenvolvimento das lavouras de trigo de
inverno. As posições com entrega mais recente foram pressionadas por um
movimento de realização de lucros.

Ontem o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) informou que
51% da lavouras estão entre boas e excelentes condições, 35% em situação
regular e 14% em condições entre ruins e muito ruins. Na semana anterior, os
números eram de 59%, 32% e 9%, respectivamente.

A queda no indicativo de área de trigo dos Estados Unidos também
sustentou os preços. Segundo o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos
(USDA, na sigla em inglês), a área total plantada com trigo nos EUA em 2017 é
estimada em 46,1 milhões de acres, 8% abaixo do registrado em 2016. Essa
superfície representa o menor plantio no país desde o início dos registros,
em 1919.

Os contratos com entrega em maio de 2017 fecharam negociados a US$ 4,27 por
bushel, baixa de 0,75 centavo de dólar, ou -0,17%, em relação ao fechamento
anterior. Os contratos com entrega em julho fecharam negociados a US$ 4,40,
com recuo de 0,25 centavo de dólar, ou -0,05%.

Câmbio

O dólar comercial fechou as negociações em baixa de 0,51%, cotado a R$
3,0970 para compra e a R$ 3,0990 para venda. Durante o dia, a moeda
norte-americana oscilou entre a mínima de R$ 3,0950 e a máxima de R$ 3,1380.

Agenda de quarta-feira

– Leilão dos estoques oficiais de café – Conab, 9hs.

– Estoques de petróleo semanais dos EUA, às 11h30.

– EUA: a ata da última reunião de política monetária será publicada às 15h
pelo Federal Reserve.

Gabriel Nascimento (gabriel.antunes@safras.com.br) / Agência SAFRAS