SOJA: Safra sul-americana e guerra seguem no foco – SAFRAS

   Porto Alegre, 14 de março de 2022 – Acompanhe abaixo os fatos que deverão merecer a atenção do mercado de soja na semana. As dicas são do analista de SAFRAS & Mercado, Luiz Fernando Roque:

– Os players do mercado da soja permanecem com as atenções divididas entre a situação climática e produtiva da nova safra da América do Sul e o avanço do conflito entre Rússia e Ucrânia no leste europeu. Além disso, os players também ainda digerem os dados do relatório do USDA de março, além de acompanhar as movimentações da demanda chinesa no mercado internacional.

– Os trabalhos de colheita no Brasil avançam em ritmo satisfatório em todas as regiões, com pequenas exceções. O avanço das máquinas começa a revelar a verdadeira situação das produtividades médias esperadas para os principais estados produtores do país. No Sul, os trabalhos confirmam que as perdas são muito elevadas nos estados do Paraná e do Rio Grande do Sul, onde mais de 40% da produção está sendo perdida. Já em alguns estados do Centro-Oeste e do Sudeste, a situação é bem diferente, com os trabalhos revelando grandes produtividades no Mato Grosso, Goiás, São Paulo e Minas Gerais.

– Na Argentina, a situação parece ter melhorado um pouco nos últimos dias com a chegada de um clima mais úmido em importantes províncias produtoras, o que pode impedir o avanço das perdas. As estimativas de produção giram entre 40 e 42 milhões de toneladas. Se o clima não piorar nas próximas semanas, essa faixa deve ser confirmada.

– Com o forte avanço da colheita no Brasil e aparente melhora climática na Argentina, Chicago parece já ter precificado a maior parte dos problemas da safra sul-americana, que se aproxima de uma consolidação. Ainda há espaço para ajustes nos números, mas a maior parte deles já foi feita. Daqui para a frente, esperamos apenas por ajustes mais finos no Brasil, embora a safra gaúcha ainda esteja em desenvolvimento final.

– A China voltou a comprar grandes volumes de soja norte-americana nos últimos dias, mantendo a demanda aquecida pela dos EUA para compensar as perdas da América do Sul. Não devemos ter grande alterações nesse quadro nos próximos dias.

– O USDA confirmou o sentimento do mercado e trouxe cortes para os estoques dos EUA e do mundo e para as produções de Brasil e Argentina. Apesar de os ajustes terem sido um pouco diferentes do esperado, o importante foi a confirmação do viés, o que ajuda a manter o suporte nos contratos futuros em Chicago.

     Dylan Della Pasqua (dylan@safras.com.br) / Agência SAFRAS

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