SOJA: Plantio do Brasil deve crescer mais de 2% em 2017/18, aponta pesquisa

Porto Alegre, 25 de agosto de 2017 – O plantio de soja em 2017/18, que se
inicia no próximo mês, deverá avançar pouco mais de 2 por cento ante a
temporada passada, mas a produção do Brasil deve cair 3 por cento, com
especialistas esperando uma queda na produtividade média após uma safra
marcada por condições climáticas extremamente favoráveis em 2016/17.

Segundo a média de nove estimativas de analistas e instituições obtidas
pela Reuters, a área dedicada à soja em 2017/18 deverá aumentar para um novo
recorde de 34,70 milhões de hectares, com a oleaginosa ganhando espaço do
milho, cujo preço está baixo após uma safra histórica.

Em contrapartida, a produção de soja do Brasil, maior exportador global,
deverá recuar para 110,60 milhões de toneladas na colheita que deve começar
no início de 2018. Essa seria a primeira queda desde 2015/16 e a maior baixa
anual desde 2011/12, quando houve tombo de 12 por cento na safra, segundo a
série histórica da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab).

Conforme o analista de grãos do Rabobank Brasil, Victor Ikeda, a
produção de soja no ciclo 2017/18 deverá retornar a uma “linha de
tendência”, após um salto de quase 20 por cento em 2016/17 sobre a safra
anterior, que havia sofrido com uma seca.

“Nesse caso, a média de 3,4 toneladas por hectare do ano passado pode
ter sido um pouco fora da realidade… Se voltarmos à tendência, considerando
uma normalidade climática, a produtividade da safra 2017/18 seria estimada em
3,15 t/ha”, avaliou ele à Reuters.

O Rabobank prevê produção de 109 milhões de toneladas da oleaginosa, em
uma área 1,7 por cento maior, de 34,5 milhões de hectares, com a cultura
avançando sobre áreas de milho verão.

Na mesma linha, o analista Luiz Fernando Roque, da Safras & Mercado, diz
que “o Brasil deve retomar o ritmo de crescimento ‘normal’ da área de
soja” em 2017/18, o qual havia perdido força em 2016/17.

“Além disso, o bom resultado produtivo registrado na safrinha de milho
de 2016 dá força à tendência recente de centralização da produção do
cereal na chamada segunda safra, pós-colheita da safra verão. Assim, a
oleaginosa firma-se, ainda mais, como a protagonista da safra de verão,
enquanto o cereal é o destaque da safrinha”, resumiu, em comunicado.

A Safras & Mercado prevê um plantio recorde 35,50 milhões de hectares
(+5,2 por cento), com produção de 113,20 milhões de toneladas de soja.

Segundo Adriano Gomes, analista de mercado da AgRural, a expansão de área
se dará principalmente na região Sul do país, que lidera a produção de
milho de primeira safra.

“Com a queda nos preços do cereal, devemos ter mais produtores plantando
soja em áreas semeadas com milho, mas também devemos ter expansão de área
no Sudeste e nas regiões de fronteira, como o Matopiba, onde haverá avanço em
áreas já abertas”, disse à Reuters.

A AgRural avalia que o Brasil produzirá 109,70 milhões de toneladas de
soja, em uma área de 34,50 milhões de hectares.

Apesar das perspectivas positivas, alguns “fatores limitantes”, como “a
demora do crédito agrícola oficial e as incertezas em relação à safra de
soja nos Estados Unidos e, consequentemente, aos patamares de preços em
Chicago”, impediram uma expansão maior da área, segundo a consultoria
Céleres.

“Incrementos adicionais na área brasileira poderão ocorrer se houver uma
reversão nas expectativas da safra norte-americana e uma consequente melhora
nos níveis de preços internacionais. Contudo, o intervalo apertado para o
planejamento do produtor será um limitante para aproveitar uma possível
melhora de preços”, destacou a consultoria, em relatório.

As informações partem da Reuters Brasil.

Revisão: Fábio Rübenich (fabio@safras.com.br) / Agência SAFRAS