SOJA: Perdas na América do Sul são principal ponto de atenção – SAFRAS

Porto Alegre, 4 de fevereiro de 2022 – Acompanhe abaixo os fatos que deverão merecer a atenção do mercado de soja na semana que vem. As dicas são do analista da SAFRAS Consultoria, Luiz Fernando Gutierrez Roque.

– O mercado da soja mantém as atenções centralizadas no clima para o desenvolvimento da nova safra da América do Sul e para o avanço dos trabalhos de colheita no Brasil. Além disso, os players também olham com atenção para os movimentos da demanda chinesa no mercado internacional. O relatório do USDA de fevereiro fecha o quadro de fatores para os próximos dias.

– As perdas produtivas da América do Sul continuam sendo o principal fator de atenção para os players do mercado da soja. Os contratos futuros em Chicago encontram fôlego nas reduções das produções de Brasil, Argentina e Paraguai e no clima pouco favorável para as próximas semanas.

– No Brasil, os trabalhos de colheita já evoluem nos estados do Centro-Oeste e Sudeste, além do Paraná e da Bahia. No Paraná, as primeiras lavouras colhidas apresentam grandes perdas produtivas, principalmente na região oeste. No Mato Grosso do Sul, também são reportadas perdas importantes em algumas regiões, enquanto nos demais estados do Centro-Oeste e do Sudeste as atenções se voltam para a qualidade da soja colhida em um ambiente de umidade elevada. A safra brasileira deve sofrer novas reduções de potencial produtivo nos próximos dias. SAFRAS atualiza seus números no próximo dia 11, e já podemos antecipar que novos cortes serão feitos. De qualquer forma, apenas o avanço mais amplo da colheita irá revelar as realidades em cada estado, mas já sabemos que as perdas na Região Sul são extremamente elevadas, infelizmente.

– Na Argentina, o mês de fevereiro é crucial para o desenvolvimento das lavouras da Zona Núcleo, e os mapas continuam apontando para pouca umidade. Tal fato continua colocam em xeque a produção argentina, que já registra algumas perdas irreversíveis em algumas microrregiões. Se o clima seco se confirmar, a safra argentina sofrerá novos cortes produtivos, podendo até mesmo ter uma produção inferior a 40 milhões de toneladas. As próximas semanas são decisivas.

– As novas compras de soja norte-americana por parte da China, anunciadas nos últimos dias, confirmam que as perdas produtivas da América do Sul devem levar a um aumento de exportações dos EUA neste ano, fato que deve apertar os estoques americanos, também trazendo suporte para Chicago.

– O relatório do USDA de fevereiro, que será divulgado no próximo dia 9, deve trazer novos cortes na safra sul-americana e possível aumento nas exportações dos EUA (redução de estoques), devendo ser um relatório altista. De qualquer forma, atenção redobrada para os novos números.

     Gabriel Nascimento (gabriel.antunes@safras.com.br) / Agência SAFRAS

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