SOJA: Mercado segue digerindo dados de relatórios do USDA – SAFRAS

    Porto Alegre, 1o de abril de 2021 – Acompanhe abaixo os fatos que deverão merecer a atenção do mercado de soja na semana que vem. As dicas são do analista da SAFRAS Consultoria, Luiz Fernando Gutierrez Roque.

– Os players do mercado de soja devem continuar digerindo os números do relatório do USDA de intenção de plantio da nova safra dos Estados Unidos, que trouxeram uma grande surpresa para o mercado no último dia 31. Paralelamente, as atenções continuam divididas entre o clima na América do Sul, os movimentos da demanda chinesa e a situação dos estoques dos EUA.

– O USDA surpreendeu em seu relatório de intenção de plantio da nova safra dos EUA, divulgado no dia 31 de março, ao indicar uma área a ser plantada com soja bastante inferior ao que o mercado esperava, e até mesmo ao que o próprio USDA havia “sinalizado” em seu Fórum anual, ocorrido em fevereiro deste ano.

– O mercado esperava que a primeira estimativa para a área a ser plantada com soja na nova safra norte-americana girasse em torno de 90 milhões de acres, em linha com a sinalização do USDA de fevereiro. Apesar disso, o USDA estimou que a soja ocupará “apenas” 87,76 milhões de acres, o que trouxe grande surpresa para todo o mercado. Além disso, a estimativa para o milho também ficou bastante abaixo do que o mercado esperava.

– Como resultado, os contratos futuros em Chicago dispararam mais de 5% em algumas posições, atingindo o limite de alta diária. O grande ponto é que o potencial da nova safra dos EUA não deverá ser recorde, o que também abre espaço para uma maior sensibilidade em Chicago se problemas climáticos ocorrerem durante o desenvolvimento das lavouras, visto que a situação dos estoques norte-americanos já é bastante apertada. O mercado deve continuar digerindo os números do USDA nos próximos dias, já começando a olhar também para as previsões climáticas para o plantio.

– No lado sul-americano, nesta última semana, o clima melhorou para o avanço dos trabalhos de colheita no Brasil, enquanto as lavouras da Argentina voltaram a receber certa umidade. As previsões apontam para a manutenção de condições mais favoráveis para ambos os países, o que pode trazer algum peso para Chicago. As dúvidas ainda giram em torno da safra argentina, enquanto o Brasil está consolidando uma nova produção recorde.

     Gabriel Nascimento (gabriel.antunes@safras.com.br) / Agência SAFRAS

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