SOJA: Mercado observa clima nos EUA e digere relatório USDA – SAFRAS

Porto Alegre, 11 de agosto de 2017 – Acompanhe abaixo os fatos que deverão
merecer a atenção do mercado de soja na semana que vem, com destaque para
o clima sobre as lavouras norte-americanos, bem como à repercussão do relatório
de oferta e demanda do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA),
que surpreendeu os agentes. As dicas são do analista da SAFRAS Consultoria,
Luiz Fernando Roque.

– O mercado permanece com as atenções voltadas para o clima sobre o cinturão
produtor norte-americano em um cenário de dúvidas com relação ao real
tamanho do potencial produtivo atual das lavouras de soja do Meio-Oeste do
país. Os players também devem continuar a digerir os surpreendentes novos
números do USDA, que trouxeram grande impacto ao mercado

– O relatório de oferta e demanda do USDA de agosto, divulgado na última
quinta-feira (10), surpreendeu o mercado ao trazer uma forte elevação na
projeção de produção norte-americana da temporada 2017/18

– A maior parte do mercado esperava por um corte no tamanho da produção,
refletindo o clima irregular registrado ao longo do mês de julho em boa parte
do Meio-Oeste. O mercado, de uma forma geral, não enxergava a possibilidade de
elevação na projeção, visto que as lavouras não se desenvolvem tão bem
quanto na safra passada

– De qualquer forma, o USDA projeta agora a maior safra norte-americana da
história, mesmo que com produtividades inferiores à da safra passada. Tal fato
deve ocorrer devido ao tamanho da área semeada, que também atingiu o maior
patamar da história nesta temporada

– O mercado deve continuar a se posicionar frente aos novos números, enquanto
ainda mantém as atenções voltadas para as previsões climáticas

– Os mapas continuam a indicar clima positivo para o mês de agosto na maior
parte do cinturão produtor, o que deve ser benéfico para o desenvolvimento
final das lavouras

– Estes dois fatores mantêm o mercado bastante pressionado, agora com forte
viés baixista. Após a perda a linha de US$ 9,50 por bushel, a posição spot
(setembro/17) deve trabalhar com resistência na mesma, enquanto perde força
rumo ao suporte de US$ 9,20 e US$ 9,00. Se as previsões climáticas piorarem,
Chicago pode encontrar algum fôlego para ajustes positivos. Fora isso, resta
algum espaço apenas para ajustes técnicos após as fortes perdas. O mercado
ganha tom baixista.

Gabriel Nascimento (gabriel.antunes@safras.com.br) / Agência SAFRAS