Porto Alegre, 18 de fevereiro de 2022 – Acompanhe abaixo os fatos que deverão merecer a atenção do mercado de soja na semana que vem. As dicas são do analista da SAFRAS Consultoria, Gil Barabach.
– O foco fundamental do mercado é a colheita e o final de desenvolvimento da safra de soja da América do Sul. SAFRAS & Mercado cortou produção no Brasil para 127 milhões e reduziu na Argentina para 40 milhões de toneladas. Esse corte na produção da América do Sul implica em recuo na exportação e estoques mais baixos, o que reforça o sinal de aperto na oferta;
– O quadro produtivo ainda está em aberto. Preocupam as chuvas irregulares ao longo de fevereiro e o mês de março é determinante para as lavouras mais tardias do RS;
– A posição Mai/22 rompe a importante linha de US$ 16 por bushel e ganha força técnica na CME. O desafio de alta é vencer a topo gráfico em 16,34 por bushe e avançar em direção a novas máximas. Na parte de baixo, atenção ao suporte em 15,51 por bushel. Na segunda-feira (21), a bolsa não abrirá devido ao feriado do Dia do Presidente nos EUA;
– Mercado continua firme no curto prazo, com sinaliza de acomodação negativa ao longo do 2o semestre, por conta da perspectiva de melhora na oferta com chegada da safra norte-americana. Os preços altos em Chicago tendem a aumentar o interesse pela soja nos EUA. O USDA divulga a primeira intenção de plantio norte-americano ao final de março. No radar dos operadores o spread invertido da soja na CME;
– Importante também destacar o prêmio alto para a soja negociada nos portos brasileiros, o que resulta em base FOB porto extremamente atraente ao vendedor. Em Paranaguá o prêmio do grão no spot está em 135 cents. E em Rio Grande chega a 200 cents. Um basis bem acima do normal para a entrada de safra, que é justificado pela pouca disponibilidade física;
– O dólar segue pressionado pelo fluxo externo positivo. Alta nas commodities, os ativos baratos na B3 e, principalmente, as operações de “carry trade”, com investidores aproveitando a taxa Selic elevada justificam a apreciação do real frente ao dólar. Já o tom ameno do Fed também ajuda a tirar o peso da expectativa de alta dos juros EUA, que deve trazer força, novamente, a moeda norte-americana, especialmente frente as emergentes;
Gabriel Nascimento (gabriel.antunes@safras.com.br) / Agência SAFRAS
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