Porto Alegre, 26 de fevereiro de 2016 – Acompanhe abaixo os fatos que
deverão merecer a atenção do mercado de soja na semana, com destaque para o
desenvolvimento das safras no Brasil e na Argentina. As dicas são do analista
de soja de SAFRAS & Mercado, Gil Barabach.
– As fortes chuvas na Argentina e em parte do Brasil geraram apreensão no
mercado, não só por atrapalhar a colheita como também por resultar em um leve
recuo na produtividade média em algumas lavouras do Paraná. Mas o receio
climático foi dissipado, e a perspectiva geral em torno da safra nacional segue
positiva. No MT, o IMEA revisou a safra de soja no estado para 28,5 milhões
de toneladas, novo recorde. E na Argentina, a expectativa segue de safra cheia.
Por isso, está mantida a ideia de produção de 100 milhões no Brasil e acima
de 58 milhões toneladas na Argentina. O que é muita soja.
– A demanda continua na defensiva, saindo dos EUA e vindo para América do
Sul, onde aparece primeiro aqui no Brasil. O comprador observa com tranquilidade
o andamento da safra na região. A firmeza do dólar é um aliado da demanda,
pois estimula o produtor a venda
– O bom andamento da safra na América do Sul e a tranquilidade no
abastecimento ajuda a erguer uma densa barreira fundamental as investidas
de alta em Chicago
– No curto prazo, a soja na CBOT deve seguir vulnerável as mudanças de humor
no mercado financeiro e pressionada pelo avanço da safra da América do Sul. E
atenção a instabilidade financeira, pois pode abrir algumas janelas de venda;
– O Agricultural Outlook Forum projetou queda na área com soja nos EUA em 2016.
O Forum indicou área de 82,5 milhões de acres com soja, o que corresponde a
um recuo de 200 mil acres em relação a 2015. A expectativa de mercado era de
queda entre 200 a 800 mil acres;
– Mercado físico interno segue sem ritmo. A queda na CBOT e o dólar fraco ao
longo de praticamente toda a semana tirou o produtor das praças de
comercialização. E apesar do avanço da colheita não se percebe uma grande
pressão vendedora. Mesmo assim, as cotações recuaram em média R$ 5,00 a
saca no disponível ao longo da última semana.
– Em Chicago, a última semana foi de fortes perdas para a posição Maio/16.
Mercado perdeu as linhas mais curtas e afundou em região técnica negativa. É
verdade que ainda segue dentro de um intervalo lateral de atuação, embora
muito próximo da banda inferior em US$ 8,60 o bushel. A perda desse suporte
pode facilitar o caminho em direção ao fundo gráfico de US$ 8,53 o bushel na
CBOT. Já para quebrar a lógica lateral e voltar a subir com mais consistência
é preciso romper a resistência em US$ 8,86 o bushel e vencer a barreira de
US$ 8,90 o bushel.
