Porto Alegre, 7 de janeiro de 2022 – Acompanhe abaixo os fatos que deverão merecer a atenção do mercado de soja na semana que vem. As dicas são do analista da SAFRAS Consultoria, Luiz Fernando Gutierrez Roque.
– O mercado da soja começa o ano com todas as atenções centralizadas no clima para o desenvolvimento da nova safra sul-americana. Paralelamente, os movimentos da demanda chinesa no mercado internacional, em um ambiente de migração das compras para os portos brasileiros, também chamam a atenção. Pelo lado financeiro, o avanço da variante Ômicron ao redor do mundo fecha o quadro de fatores.
– O clima continua sendo o grande fator de atenção para o mercado da soja neste início de 2022. Após um dezembro extremamente seco na Região Sul do Brasil e parte do Paraguai, o mês de janeiro começou também com poucas chuvas nestas regiões e também na Argentina, que avança para as últimas áreas a serem semeadas.
– No Brasil, dia após dia os problemas crescem nos estados do Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul, e parte das perdas já é irreversível. Além destes estados, também temos problemas no Mato Grosso do Sul. O pior cenário continua sendo no estado do Paraná, onde grande da parte da produção está sendo colocada em xeque. Além da baixa umidade registrada ao longo do mês de dezembro, os mapas de previsões climáticas continuam apontando para pouca ou nenhuma umidade sobre a Região Sul nas próximas semanas, o que certamente continuará trazendo deterioração para as condições das lavouras.
– Na Argentina, embora o início do desenvolvimento de parte das lavouras tenha ocorrido com alguma umidade, os mapas de previsões que apontam para pouca umidade nos próximos 3 meses nas principais províncias produtoras colocam em xeque a produção do segundo maior produtor da América do Sul.
– No lado da demanda, o mercado acompanha o movimento de migração da demanda chinesa para os portos brasileiros, a medida em que os trabalhos de colheita estão prestes a começar. Os line-ups já apontam para mais de 3 milhões de toneladas a serem embarcadas nos portos brasileiros no mês de janeiro. Apesar disso, é importante acompanhar possíveis atrasos na colheita brasileira devido ao excesso de chuvas em alguns estados, o que pode trazer também atrasos nos primeiros embarques do ano.
– Os contratos futuros em Chicago ganham fôlego diante destes problemas produtivos e possível piora nas condições da safra sul-americana nas próximas semanas. Se o clima não melhorar, é possível vermos o teste de patamares ainda mais altos nos próximos dias.
Gabriel Nascimento (gabriel.antunes@safras.com.br) / Agência SAFRAS
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