SOJA: Apesar de impedimentos, produtores argentinos não acumulam estoques

   Porto Alegre, 30 de novembro de 2020 – Os produtores de soja da Argentina não estão acumulando estoques apesar de impedimentos às exportações, como as tarifas e o câmbio.

   A Argentina é o terceiro maior produtor e fornecedor mundial de soja crua e o maior exportador de farelo de soja e óleo. Ao contrário da percepção geral do mercado, o economista da Bolsa de Cereais de Rosário (BCR), Emilce Terré, observa que as vendas de soja pelos agricultores argentinos no atual ano comercial (abril de 2020 a março de 2021) estão em sincronia com o ritmo médio anual.

   “Não vemos agricultores argentinos acumulando estoques de feijão”, disse Terré à S&P Global Platts em uma entrevista. “Embora as vendas tenham diminuído um pouco recentemente, não temos um desvio perceptível em relação aos anos anteriores.”

    A quantidade de soja a ser vendida, por exemplo, é de 8,8 milhões de toneladas, enquanto no mesmo período do ano passado foi de 9,9 milhões de toneladas, disse Terré. “A maior parte da produção do ano de mercado atual foi vendida no ano passado entre agosto e dezembro, uma vez que a incerteza em torno das eleições presidenciais argentinas levou os produtores de soja a vender uma porção maior de sua produção com antecedência”, disse ela.

   De acordo com dados do Ministério da Agricultura da Argentina, até o final de dezembro de 2019 os exportadores registraram mais de 6 milhões de toneladas de vendas futuras para a safra de soja de 2019/20, um forte aumento em relação às 588 mil toneladas do ano anterior.

   Até agora, no atual ano comercial, as vendas da soja argentina representam quase 70% da produção total, em linha com o volume de vendas do ano passado, disse Terré.

     Gabriel Nascimento (gabriel.antunes@safras.com.br) / Agência SAFRAS

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