Porto Alegre, 15 de setembro de 2017 – A semana foi mercada pela
divulgação do relatório de setembro do Departamento de Agricultura dos
Estados Unidos (USDA), que mais uma vez surpreendeu o mercado internacional de
soja.
Contrariando todas as expectativas, o Departamento elevou a sua projeção
para 120,6 milhões de toneladas. Em agosto, o número já tinha sido
considerado baixista, ao indicar safra de 119,2 milhões. A nova estimativa
ficou acima do recorde do ano passado de 117,2 milhões de toneladas e superou
também a projeção do mercado, de 117,67 milhões de toneladas.
Logo após a divulgação do USDA, o mercado sentiu o impacto, encerrando a
terça com perda de cerca de 1%. Mas o fechamento ficou acima da mínima do
dia, demonstrando que parte do mercado estava cética em torno desta previsão
de produção americana.
E esse sentimento se confirmou nas duas sessões posteriores. Tanto na
quarta como na quinta Chicago subiu mais de 1%. Os investidores ignoraram a
supersafra imposta pelo USDA e se concentraram em outros fatores altistas, sendo
o principal deles a boa demanda pela soja americana.
A procura pela soja continua aquecida e o próprio relatório deu indícios
de que a demanda deverá seguir firme, com Estados Unidos e Brasil projetando
exportações recordes. O USDA elevou em 1 milhão de toneladas o número de
importação da China, tanto para 2016/17 como para 2017/18.
No balanço da semana, os contratos futuros da soja negociados em Chicago
tiveram resultado positivo. Novembro, a posição mais negociada, acumulou
valorização de 1,45%, fechando a quinta a US$ 9,76 por bushel.
O mercado interno aproveitou este repique de Chicago. A semana foi de muita
movimentação e alta nos preços nas principais praças do país,
principalmente na segunda parte da semana, quando Chicago consolidou a
recuperação.
Somente na quinta, cerca de 200 mil toneladas trocaram de mãos. No total
da semana, estima-se que 300 mil toneladas foram negociadas nas principais
praças do país.
Em Passo Fundo (RS), a saca de 60 quilos subiu de R$ 66,00 para R$ 68,00.
Na região das Missões, o preço avançou de R$ 65,00 para R$ 66,00. No porto
de Rio Grande, as cotações passaram de R$ 69,00 para R$ 70,00.
Em Cascavel, no Paraná, o preço passou de R$ 64,50 para R$ 65,50. No
porto de Paranaguá (PR), a saca subiu de R$ 71,00 para R$ 71,50.
Em Rondonópolis (MT), a saca avançou de R$ 60,00 para R$ 60,50. Em Dourados
(MS), a cotação subiu R$ 2,00 para R$ 61,00. Em Rio Verde (GO), a saca
avançou R$ 0,50 para R$ 61,00.
Dylan Della Pasqua (dylan@safras.com.br) / Agência SAFRAS
