SEMANA: Dólar em alta assegura melhora movimentação com soja no Brasil

Porto Alegre, 24 de março de 2017 – A firmeza do dólar frente ao real
deu ritmo aos negócios com soja no mercado brasileiro nesta semana, que foi
marcada pelo aumento no interesse do produtor, mesmo com preços entre estáveis
e mais baixos. AS cotações foram pressionadas pelo comportamento negativo dos
contratos futuros na Bolsa de Mercadorias de Chicago (CBOT).

Entre os dias 16 e 23 de março, a saca de 60 quilos recuou de R$ 66,50
para R$ 64,00 em Passo Fundo (RS). Em Cascavel (PR), o preço estabilizou em R$
63,00.

Em Rondonópolis (MT), a saca baixou de R$ 60,00 para R$ 59,00. No mesmo
período, o preço baixou de R$ 58,00 para R$ 56,00. Em Rio Verde (GO), saca
caiu de R$ 61,00 para R$ 60,00.

Como os preços não reagem e o quadro não favorece uma recuperação, os
produtores voltaram ao mercado quando o dólar reagiu, diante da necessidade de
horar compromissos. A moeda acumulou valorização de 0,7%, encerrando a quinta
a R$ 3,138, reflexo de um clima de maior aversão ao risco no mercado financeiro
internacional.

Em Chicago, o contrato com vencimento em maio caiu 1% no período, baixando
para US$ 9,91 por bushel. O mercado sente o impacto de um cenário fundamental
bastante baixista, combinando safras recordes no Brasil e no Paraguai com a
expectativa de produção cheia também na Argentina, onde os prejuízos pelas
chuvas de janeiro parecem ter sido superdimensionados em uma primeira
avaliação.

Para completar, a expectativa é de que os produtores americanos cultivem a
maior área da história em 2017. Um número mais preciso será conhecido no
final do mês, quando o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA)
divulgará o relatório de intenção de plantio.

Com a colheita da soja chegando ao final, consultorias e instituições
oficiais refazem as contas e indicam que a safra brasileira 2016/17 não só
será a maior da história, mas ficará bem acima das expectativas iniciais,
beirando a casa de 110 milhões de toneladas.

Já em fevereiro, SAFRAS & Mercado apontava para uma produção superior a
107 milhões de toneladas, bem acima das estimativas que dominavam o mercado
naquele momento. A partir dali os cálculos começaram a ser refeitos.

As condições climáticas ficaram próximas do ideal. As produtividades
obtidas com o avanço da colheita surpreenderam os produtores e o rendimento
elevado assegurou a produção recorde do Brasil.

No levantamento de março, a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab)
elevou sua projeção para 107,6 milhões de toneladas, com aumento de 13% sobre
o ano anterior. Posteriormente, o Departamento de Agricultura dos Estados
Unidos (USDA) elevou sua estimativa de 104 milhões para 108 milhões de
toneladas.

Recentemente, foi a vez da Associação Brasileira das Indústrias de
Óleos Vegetais (Abiove) aumentar sua previsão, de 104,6 milhões para 107,3
milhões de toneladas. Algumas consultorias indicam safra de 111 milhões de
toneladas. Em contatos recentes com produtores e cooperativas, SAFRAS já indica
que a produção ficará próxima dos 109 milhões de toneladas.

Dylan Della Pasqua (dylan@safras.com.br) / Agência SAFRAS