SEMANA: Chicago sobe 11,4% e preços internos da soja disparam em abril

Porto Alegre, 29 de abril de 2016 – Os preços domésticos da soja
dispararam no Brasil durante o mês de abril, acompanhando a alta de mais de 11%
dos contratos futuros, na Bolsa de Mercadorias de Chicago (CBOT). Preocupados
com o recuo do dólar, os produtores aproveitaram o repique dos preços e
negociaram bem durante o mês.

Em Passo Fundo (RS), a saca de 60 quilos subiu de R$ 71,00 no dia 31 de
março para R$ 77,50 no dia 28 de abril. Em Cascavel (PR), a cotação avançou
de R$ 70,00 para R$ 77,00.

O preço disparou de R$ 64,00 para R$ 72,50 em Rondonópolis (MT). Em
Dourados (MS), a cotação pulou de R$ 61,00 para R$ 69,00. Em Rio Verde (GO), a
cotação subiu de R$ 64,00 para R$ 72,50.a

Em Chicago, os contratos com vencimento em julho acumularam valorização
de 11,41% no período, fechando a R$ 10,22 a quinta, 28. A maior demanda pela
soja americana e as perdas no potencial produtivo da safra argentina devido ao
excesso de chuvas garantiram o bom desempenho do mercado futuro.

Já o câmbio não favoreceu os negócios. Com a aprovação do início do
processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff, o dólar comercial caiu
2,72% em abril, fechando o mês abaixo de R$ 3,50. A moeda americana só não
caiu mais porque o governo interveio com força no mercado ao longo do período.

Safra

A produção brasileira de soja em 2015/16 deverá totalizar 98,5 milhões
de toneladas, com aumento de 2,4% sobre a safra da temporada anterior, que ficou
em 96,151 milhões de toneladas. A previsão é de SAFRAS & Mercado.

Na comparação com o relatório anterior, no entanto, houve um corte de
2,161 milhões de toneladas, ou 2,15%. Em 21 de março, a estimativa era de
100,661 milhões de toneladas.

Com as lavouras em fase final de colheita, SAFRAS indica aumento de 3,9% na
área, que ficaria em 32,915 milhões de hectares. Em 2014/15, o plantio ocupou
31,746 milhões de hectares. O levantamento indica que a produtividade média
deverá passar de 3.029 quilos por hectare para 2.993 quilos.

“O recuo na projeção é reflexo, basicamente, do aumento das perdas nas
regiões Norte e Nordeste do país, que ficaram mais claras ao longo da
evolução da colheita no mês de abril na região do MATOPIBA”, informou o
analista de SAFRAS & Mercado, Luiz Fernando Roque.

Segundo ele, a falta de chuvas ao longo de fevereiro acabou com as
esperanças criadas a partir dos bons volumes recebidos em janeiro, o que
culminou em uma grande perda do potencial produtivo da região.

Os estados do Sul, Centro-Oeste e Sudeste do país confirmaram
produtividades entre satisfatórias e excelentes, com destaque para os recordes
de produção e produtividade no Rio Grande do Sul, Goiás, Minas Gerais e São
Paulo. “Tal fato impediu um recuo ainda maior no tamanho da produção no
país, levando a Brasil a colher, por mais um ano consecutivo, uma safra recorde
de soja”, completou.