Porto Alegre, 28 de agosto de 2015 – Os preços da soja subiram em agosto
no mercado físico brasileiro, apesar do forte recuo nos contratos futuros na
Bolsa de Mercadorias de Chicago (CBOT). A sustentação foi garantida pelo
câmbio, com valorização do dólar frente ao real.
A saca de 60 quilos subiu de R$ 72,00 para R$ 74,00 entre os dias 31 de
julho e 27 de agosto, em Passo Fundo (RS). Em Cascavel (PR), a cotação
passou de R$ 68,00 para R$ 71,50. Em Rondonópolis (MT), o preço avançou de
R$ 60,50 para R$ 67,00. No Mato Grosso do Sul, em Dourados, o preço subiu de
R$ 62,50 para R$ 68,00, enquanto em Rio Verde (GO), avançou de R$ 62,00 para
R$ 64,00 no período.
O mercado foi sustentado pelo dólar, que acumulou alta de 3,7% no mês e
já acumula valorização de 60% nos últimos 12 meses, dando competitividade no
mercado exportador e “salvando” o produtor rural, em meio a um quadro de
incerteza na economia global e preços em queda para a commodity.
Em Chicago, os contratos com vencimento em novembro apresentaram queda de
6,5%, fechando o dia 27 a US$ 8,79 por bushel. O mercado atingiu os menores
níveis em mais de seis ano, por conta de uma série de notícias negativas para
os preços.
Agosto iniciou com clima favorável à evolução das lavouras
norte-americanas, com chuvas acima da média, em um período considerado
crítico para a definição do potencial produtivo. O primeiro tombo em Chicago
ocorreu no dia 12, data da divulgação do relatório de oferta e demanda do
Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA).
Contrariando todas as previsões, o USDA elevou as suas estimativas para a
safra e os estoques americanos. Devido ao excesso de chuva em junho, era
consenso no mercado que o Departamento apresentaria cortes nas estimativas.
Para completar o cenário negativo, o mercado se assustou com a situação
da economia chinesa. As quedas acentuadas na bolsa de Xangai acendeu o sinal
de alerta e as dúvidas em relação à demanda chinesa pressionaram ainda mais
as cotações.
