RETROSPECTIVA: Soja tem ano agitado e de boas oportunidades ao produtor

Porto Alegre, 23 de dezembro de 2016 – O mercado de soja teve um ano
agitado em 2016. A temporada começou com perdas produtivas no Brasil e na
Argentina devido ao efeito do fenômeno El Niño. “Ambos os países não
atingiram seu potencial produtivo, limitando a oferta sulamericana no mercado
internacional a partir de fevereiro”, lembra o analista de SAFRAS & Mercado,
Luiz Fernando Gutierrez Roque.

No Brasil, as perdas vieram principalmente da região Norte/Nordeste do
país, que sofreu com a estiagem ao longo da maior parte do desenvolvimento das
lavouras. Maranhão, Piauí, Tocantins e Bahia (MATOPIBA) registraram fortes
quebras em suas safras. Na faixa central do país, o Mato Grosso também
registrou perdas, com a estiagem atingindo o Médio-Norte do estado. No Sul, o
excesso de chuvas foi que impediu uma produção maior no segundo estado
produtor do país, o Paraná. “O volume total produzido pelo país só não
foi menor porque houve registro de recordes de produtividades em estados como
Rio Grande do Sul, Goiás e Minas Gerais, o que garantiu uma safra de 97,15
milhões de toneladas para o país”, pondera Gutierrez.

Na Argentina, as perdas ocorreram pelo excesso de chuvas, que trouxe, além
de umidade excessiva para as lavouras, grandes inundações em áreas próximas
a rios, trazendo um estrago bastante amplo aos produtores argentinos.

A quebra na safra sulamericana trouxe força fundamental para a Bolsa de
Chicago, que vinha lateralizada entre as linhas de US$ 8,60 e US$ 9,25 por
bushel desde agosto de 2015. “A partir de março de 2016, o mercado ganhou
fôlego”, comenta o analista. A possibilidade de um recuo na área de soja nos
EUA que seria semeada no segundo semestre do ano também trouxe força para as
valorizações. Os contratos em Chicago voltaram a trabalhar acima da linha US$
11,00 por bushel.

No mercado interno brasileiro, a combinação de Chicago e dólar
valorizados, aliada à menor oferta de soja disponível, levou os preços da
saca a patamares recordes em um ambiente de exportações aceleradas.

A partir de julho, o mercado voltava toda sua atenção para a nova safra
dos Estados Unidos. “O esperado recuo na área de soja não ocorreu”,
ressalta. Pelo contrário: a área foi novamente expandida, levando o potencial
produtivo do país a níveis recordes. O clima ao longo de praticamente toda a
semeadura, desenvolvimento das lavouras e colheita foi positivo, culminando em
condições excelentes para a safra. “Todos os sinais indicavam que os EUA,
inevitavelmente, iriam colher uma supersafra”, explica. E foi o que ocorreu.
Os EUA colheram a maior safra de sua história. “Chicago, naturalmente, voltou
a trabalhar em patamares mais baixos, embora tenha mantido suporte em US$ 10,00
amparado por um demanda internacional aquecida”, destaca.

No mercado interno, os preços recuaram no último trimestre do ano frente
à um Chicago mais fraco e dólar menos valorizado, mas a maior parte da safra
disponível já havia sido negociada. No geral, embora a quebra da safra
brasileira tenha trazido importantes problemas financeiros às regiões
afetadas, a venda de boa parte da produção brasileira a níveis de preços
interessantes, aliada a uma demanda de exportação aquecida, trouxe boas
oportunidades para os produtores ao longo do ano.

Rodrigo Ramos (rodrigo@safras.com.br) / Agência SAFRAS