PORTOS: Greve argentina pode cortar oferta de soja e elevar preços globais

Porto Alegre, 29 de abril de 2015 – O porto argentino de Rosário, o
principal do país, foi paralisado hoje por uma greve dos capitães de navios,
de acordo com a administração dos portos do país. Num período movimentado
para os exportadores – em meio à colheita de milho e soja no Hemisfério Sul
– os trabalhadores dos portos também ameaçam paralisação caso não tenham
atendidas suas demandas salariais.

As greves podem desacelerar a oferta de grãos da Argentina, pressionando
uma alta nos preços globais dos alimentos. O país é o maior exportador de
farelo de soja para consumo animal, é o terceiro maior fornecedor de soja em
grão e um grande produtor de milho e trigo.

Conforme o sindicato que representa os capitães dos navios a greve deve
continuar até que a demanda salarial seja atendida. Negociações complicadas
são comuns na Argentina, visto que os trabalhadores reivindicam reajustes
alinhados com a inflação do país.

Somada à greve, a Confederação Geral do Trabalho da Argentina (CGT)
anunciou que os trabalhadores portuários e processadores iriam começar, na
meia-noite de quarta-feira, uma paralisação de 24 horas, também por causa dos
salários.

“Se não chegarmos a um acordo, começaremos outra greve à meia-noite de
segunda-feira, por período indeterminado”, disse Edgardo Quiroga, porta-voz
da CGT.

Segundo o governo, a inflação da Argentina ficou em 1,3% em março.
Muitos analistas questionaram a credibilidade dos dados oficiais e estimaram a
taxa em cerca de 29% ao ano.