Porto Alegre, 5 de novembro de 2020 – Os preços da soja tiveram comportamento regionalizado nesta quinta, mas predominando patamares mais firmes. A demanda localizada da indústria, em meio a um cenário de escassez de produto, sustenta os preços.
A movimentação esteve travada, com os produtores focados no plantio da safra, que mostra bom avanço, mas se recente de chuvas em algumas regiões. Os referenciais tiveram desempenhos opostos: Chicago subiu e superou a casa de US$ 11. Já o dólar caiu, retornando ao patamar de R$ 5,50.
Em Passo Fundo (RS), a saca de 60 quilos subiu de R$ 173,50 para R$ 175,00. Na região das Missões, a cotação avançou de R$ 173,50 para R$ 174,50. No porto de Rio Grande, o preço aumentou de R$ 169,00 para R$ 172,00.
Em Cascavel, no Paraná, o preço permaneceu em R$ 175,00 a saca. No porto de Paranaguá (PR), a saca seguiu em R$ 156,00.
Em Rondonópolis (MT), a saca avançou de R$ 178,00 para R$ 180,00. Em Dourados (MS), a cotação pulou de R$ 173,00 para R$ 179,00. Em Rio Verde (GO), a saca recuou de R$ 186,00 para R$ 183,00.
Chicago
Os contratos futuros da soja negociados na Bolsa de Mercadorias de Chicago (CBOT) fecharam a quinta-feira com preços em forte alta. O clima seco na América do Sul, a demanda firme nos Estados Unidos e o cenário financeiro tranquilo garantiram a terceira sessão seguida de bons ganhos.
Algumas posições superaram a casa de US$ 11,00 por bushel, batendo no maior patamar desde julho de 2016. O contrato janeiro, o mais negociado, atingiu US$ 11,12 na máxima do dia, corrigindo tecnicamente a partir daí, com investidores embolsando parte dos lucros.
Apesar da evolução recente no plantio do Brasil, a falta de chuvas preocupa. Situação semelhante vive a Argentina. Além disso, a demanda segue firme pela soja e seus subprodutos nos Estados Unidos. Hoje os exportadores privados anunciaram uma venda de 33 mil toneladas de óleo para a India.
As exportações semanais americanas ficaram dentro do esperado, mas próximo do patamar máximo das estimativas de mercado. Destaque para as vendas para a China e para a confirmação de um embarque de 30 mil toneladas para o mercado brasileiro.
As exportações líquidas norte-americanas de soja, referentes à temporada 2020/21, com início em 1 de setembro, ficaram em 1.530.500 toneladas na semana encerrada em 29 de outubro. Representa uma retração de 6% frente à semana anterior e um recuo de 32% sobre a média das últimas quatro semanas. A China liderou as importações, com 810.700 toneladas. Os analistas esperavam exportações entre 800 mil e 1,7 milhão de toneladas.
Com as eleições americanas chegando ao final e com a provável vitória do democrata Joe Biden, o mercado financeiro internacional teve mais um dia tranquilo. O petróleo caiu, mas as bolsas de valores subiram. O dólar recuou, favorecendo as exportações americanas.
Os produtores americanos se mostram aliviados com o resultado das eleições. Com o Senado provavelmente confirmando maioria republicana, a temida “onda azul” – maioria democrata nas duas casas – não se concretizou, diminuindo as preocupações do setor com maiores impostos e cobranças ambientais.
Os contratos da soja em grão com entrega em janeiro fecharam com alta de 17,50 centavos de dólar por libra-peso ou 1,61% a US$ 11,03 3/4 por bushel. A posição março teve cotação de US$ 10,98 por bushel, com ganho de 18,25 centavos ou 1,69%.
Nos subprodutos, a posição dezembro do farelo fechou com alta de US$ 2,10 ou 0,54% a US$ 387,80 por tonelada. No óleo, os contratos com vencimento em dezembro fecharam a 35,47 centavos de dólar, alta de 1,08 centavo ou 3,14%.
Câmbio
O dólar comercial encerrou a sessão com baixa de 1,96%, sendo negociado a R$ 5,5460 para venda e a R$ 5,5440 para compra. Durante o dia, a moeda norte-americana oscilou entre a mínima de R$ 5,5350 e a máxima de R$ 5,6310.
Dylan Della Pasqua (dylan@safras.com.br) / Agência SAFRAS
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