MERCADO: Queda do dólar tira ritmo dos negócios com soja no Brasil

Porto Alegre, 8 de abril de 2016 – A sexta foi de poucos negócios com
soja no mercado físico brasileiro. Os preços oscilaram entre estáveis e mais
baixos, pressionado pela forte queda do dólar, que também retirou boa parte
dos agentes do mercado.

As perdas só não foram maiores pelo ganho consistente registrado nos
contratos futuros de Chicago. “Houve negócios de pequenos volumes no Rio
Grande do Sul e no Mato Grosso do Sul. Nas demais praças, o mercado esteve
parado”, avaliou o analista de SAFRAS & Mercado, Evandro Oliveira.

Em Passo Fundo (RS), a saca de 60 quilos seguiu em R$ 72,00. Na região das
Missões, o preço permaneceu em R$ 71,00. No porto de Rio Grande, as
cotações passaram de R$ 76,80 para R$ 76,50.

Em Cascavel, no Paraná, o preço baixou de R$ 71,00 para R$ 70,50. No
porto de Paranaguá (PR), a saca caiu de R$ 77,50 para R$ 76,50.

Em Rondonópolis (MT), a saca recuou de R$ 66,50 para R$ 64,00. Em Dourados
(MS), a cotação subiu de R$ 62,00 para R$ 62,50. Em Rio Verde (GO), a saca
seguiu em R$ 65,00.

Comercialização

Os produtores brasileiros de soja já negociaram 61% da safra de soja
2015/16. O levantamento é de SAFRAS & Mercado e refere-se ao período até 8
de abril. No relatório anterior, de 11 de março, o número era de 56%.

Em igual período do ano passado, a comercialização envolvia 50% e a
média para o período é de 58%. Levando-se em conta uma safra 2015/16
estimada em 100,661 milhões de toneladas, o volume de soja comprometido
chega a 61,83 milhões de toneladas.

Colheita

A colheita de soja avançou no Brasil e atingiu 83,4% da área estimada,
conforme levantamento de SAFRAS & Mercado, com dados recolhidos até 8 de abril.
Na semana anterior, o total colhido era de 71,2%. Os trabalhos estão dentro do
projetado em igual período do ano anterior (83%) e acima da média normal para
o período, de 81,4%.

Chicago

Os contratos futuros da soja negociados na Bolsa de Mercadorias de Chicago
(CBOT) fecharam a sexta-feira com preços mais altos. A alta de mais de 6% nos
preços do petróleo e a fraqueza do dólar frente a outras moedas garantiram a
recuperação dos contratos. Na semana, maio acumulou desvalorização de 0,15%.

A queda do dólar dá competitividade aos produtos de exportação dos
Estados Unidos. Para completar o cenário de expectativa de melhora na demanda
pela commodity americana, o real se fortaleceu frente ao dólar, tirando a
vantagem do produto brasileiro.

Os operadores também começam a se posicionar frente ao relatório de
abril do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), que será
divulga na terça, 12. O Departamento deverá apresentar uma pequena retração
na sua projeção para os estoques finais americanos em 2015/16.

Analistas consultados por agências internacionais projetam estoques de 456
milhões de bushels, o equivalente a 12,41 milhões de toneladas. Em março, o
USDA indicou estoques em 460 milhões de bushels ou 12,519 milhões de
toneladas. Em 2014/15, os estoques ficaram em 191 milhões de bushels – 5,198
milhões de toneladas.

Em relação ao quadro de oferta e demanda mundial, a previsão do mercado
é de um aumento nos estoques mundiais da oleaginosa, passando de 78,9
milhões para 79,4 milhões de toneladas. No ano passado, os estoques ficaram
em 77,1 milhões de toneladas.

A aposta dos investidores é de revisão para cima na safra dos dois
principais produtores de soja da América do Sul. Para o Brasil, a indicação
é de safra passando de 100 milhões para 100,2 milhões de toneladas. Na
Argentina, a estimativa deverá passar de 58,5 milhões para 59,3 milhões de
toneladas.

Os contratos da soja em grão com entrega em maio fecharam a US$ 9,16 3/4
por bushel, com alta de 12,25 centavos. A posição julho teve cotação de US$
9,25 por bushel, ganho também de 12,25 centavos.

Nos subprodutos, a posição maio do farelo fechou com alta de US$ 6,90 por
tonelada, sendo negociada a US$ 273,70 por tonelada. No óleo, os contratos com
vencimento em maio registravam preço de 33,94 centavos de dólar, retração
de 0,16 centavo ante o fechamento anterior.

Câmbio

O dólar comercial encerrou as negociações em baixa de 2,59%, cotado a R$
3,5950 para compra e a R$ 3,5970 para venda. Durante o dia, a moeda
norte-americana oscilou entre a mínima de R$ 3,5960 e a máxima de R$ 3,6720.

Dylan Della Pasqua (dylan@safras.com.br) / Agência SAFRAS