MERCADO: Queda do dólar derruba preços da soja e retrai agentes no Brasil

Porto Alegre, 3 de novembro de 2015 – O mercado brasileiro de soja teve
uma terça-feira de negócios travados. Segundo o analista de SAFRAS & Mercado,
Luiz Fernando Roque, a queda do dólar derrubou os preços da oleaginosa e
retraiu os agentes. “Foram reportados alguns negócios isolados no mercado
disponível do Rio Grande do Sul, do Mato Grosso do Sul e em Goiás”, disse o
analista.

Em Passo Fundo (RS), a saca de 60 quilos caiu de R$ 82,00 para R$ 81,00. Na
região das Missões, o preço recuou de R$ 82,00 para R$ 80,50 a saca. No
porto de Rio Grande, as cotações baixou de R$ 86,00 para R$ 84,00 a saca.

Em Cascavel, no Paraná, o preço caiu para R$ 73,00. No porto de
Paranaguá (PR), a cotação recuou de R$ 81,00 para R$ 78,00.

Em Rondonópolis (MT), a saca passou de R$ 74,50 para R$ 71,00. Em Dourados
(MS), a cotação recuou de R$ 75,00 para R$ 74,00. Em Rio Verde (GO), a saca
caiu de R$ 76,00 para R$ 75,50.

Chicago

Os contratos futuros da soja negociados na Bolsa de Mercadorias de Chicago
(CBOT) fecharam a terça-feira com preços mistos, próximos da estabilidade. O
dia foi de muita volatilidade. De uma lado, houve suporte da boa demanda pelo
produto americano. Em contrapartida, a proximidade do final da colheita nos
Estados Unidos e o clima favorável no Brasil pressionaram os contratos.

O mercado tentou recuperação técnica diante das perdas de ontem, quando
atingiu os menores níveis em um mês. O processo eleitoral na Argentina estaria
atrasando as vendas daquele país. Com isso, os compradores estariam buscando
soja nos Estados Unidos.

Esta perspectiva de boa demanda foi reforçada pela avaliação dos dados
de inspeção dos embarques americanos. Segundo o Departamento de Agricultura
dos Estados Unidos (USDA), as inspeções semanais totalizaram 2,56 milhões de
toneladas. Na semana anterior, o número ficou em 2,67 milhões de toneladas.

A pressão baixista foi exercida pela perspectiva de uma ampla oferta
mundial da oleaginosa. A colheita americana alcançou 92% até 1 de novembro,
segundo o USDA. A safra cheia está confirmada. Hoje, a empresa de consultoria
Informa elevou sua estimativa de 3,878 bilhões para 3,952 bilhões de bushels.
O mercado aposta em revisão para cima por parte do USDA no relatório do dia
10. Atualmente, o número do USDA é de 3,888 bilhões.

As atenções se voltam para a América do Sul. A previsão é de clima
favorável à evolução do plantio e ao desenvolvimento das lavouras
brasileiras nesta semana, consolidando outro ponto de pressão.

Os contratos da soja em grão com entrega em novembro subiram 0,75 centavo
de dólar, a US$ 8,78 1/2 por bushel. A posição janeiro tinha cotação de US$
8,79 por bushel, alta de 0,25 centavo de dólar.

Nos subprodutos, a posição dezembro do farelo caiu US$ 0,90 por tonelada,
sendo negociada a US$ 301,30 por tonelada. No óleo, os contratos com
vencimento em dezembro registravam preço de 28,15 centavos de dólar, ganho de
0,30 centavo ante o fechamento anterior.

Câmbio

O dólar comercial encerrou as negociações de hoje com baixa de 2,35%,
cotado a R$ 3,7680 para compra e a R$ 3,7700 para venda. Durante o dia, a
moeda norte-americana oscilou entre a mínima de R$ 3,7430 e máxima de R$ 3,8580.

Gabriel Nascimento (gabriel.antunes@safras.com.br) / Agência SAFRAS