MERCADO: Em dia de USDA. queda do dólar trava negócios com soja

Porto Alegre, 31 de março de 2016 – O mercado brasileiro de soja teve um
dia de cautela e poucos negócios. A queda do dólar travou a comercialização
e pesou sobre as cotações. Mesmo positivo, o relatório do USDA não impactou
nos preços futuros em Chicago.

Atenção especial para a região do Matopiba, onde os problemas
climáticos estão prejudicando a colheita e comprometendo a produtividade. “Os
agentes estão preocupados em cumprir os contratos”, frisa o analista de
SAFRAS & Mercado, Evandro Oliveira.

Em Passo Fundo (RS), a saca de 60 quilos caiu de R$ 71,00 para R$ 70,00. Na
região das Missões, o preço recuou de R$ 71,00 para R$ 70,00. No porto de
Rio Grande, as cotações passaram de R$ 76,00 para R$ 75,00.

Em Cascavel, no Paraná, o preço estabilizou em R$ 70,00. No porto de
Paranaguá (PR), a saca passou de R$ 76,00 para R$ 76,50.

Em Rondonópolis (MT), a saca seguiu em R$ 64,00. Em Dourados (MS), a
cotação retraiu de R$ 61,00 para R$ 60,00. Em Rio Verde (GO), a saca baixou
de R$ 64,00 para R$ 63,00.

Chicago

Os contratos futuros da soja negociados na Bolsa de Mercadorias de Chicago
(CBOT) fecharam a quinta-feira com preços mais altos. Mesmo que os números
do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) tenham sido
considerados positivos, a forte queda do milho também teve reflexos negativos
nos preços da soja e limitou os ganhos.

No mês, o desempenho da posição maio foi extremamente positivo,
acumulando valorização de 5,5%.

O USDA indicou área menor do que o esperado pelo mercado para a soja, mas
a projeção de plantio do milho ficou muito acima da expectativa, provocando um
movimento de vendas que determinou queda de mais de 4% para o cereal.

A área plantada com soja nos Estados Unidos em 2016 deverá totalizar 82,2
milhões de acres, conforme o relatório de intenção de plantio do USDA. Se
confirmada, o recuo na comparação com o ano anterior é inferior a 1%. Em
2015, os americanos cultivaram 82,7 milhões de acres.

Dos 31 estados produtores, em 23 deles a área deverá recuar ou ficar
estabilizada na comparação com o ano anterior. O número do USDA ficou abaixo
da expectativa do mercado, que apostava em um plantio em torno de 83 milhões
de acres.

Os estoques trimestrais de soja em grão dos Estados Unidos, na posição
1o de março, totalizaram 1,53 bilhão de bushels, conforme o USDA. O volume
estocado subiu 15% na comparação com igual período de 2015.

O número ficou abaixo da expectativa do mercado, de 1,57 bilhão de
bushels. Do total, 728 milhões de bushels estão armazenados com os produtores,
com ganho de 19%. Os estoques fora das fazendas somam 803 milhões
de bushels, com alta de 12%.

Os contratos da soja em grão com entrega em maio fecharam a US$ 9,09 por
bushel, com baixa de 7,00 centavos. A posição julho teve cotação de US$ 9,16
1/4 por bushel, perda de 6,50 centavos.

Nos subprodutos, a posição maio do farelo fechou com perda de US$ 1,30
por tonelada, sendo negociada a US$ 271,90 por tonelada. No óleo, os contratos
com vencimento em maio registravam preço de 33,79 centavos de dólar,
retração de 0,26 centavo ante o fechamento anterior.

Câmbio

O dólar comercial encerrou as negociações em baixa de 0,69%, cotado a R$
3,5950 para compra e a R$ 3,5970 para venda. Durante o dia, a moeda
norte-americana oscilou entre a mínima de R$ 3,5340 e a máxima de R$ 3,6360.

Dylan Della Pasqua (dylan@safras.com.br) / Agência SAFRAS